27/07/2008

A ´cirurgia plástica` do mercado

Fonte: O Estado de S. Paulo

Com a retomada do mercado imobiliário em meados de 2005,
quando a Bolsa de Valores de São Paulo listou a primeira empresa do setor, as linhas de crédito aumentaram, os prazos dos financiamentos se estenderam e as taxas de juros caíram.
Iniciou-se uma verdadeira explosão de lançamentos para todas as faixas derenda e, com isso, os empreendimentos mais antigos tornaram-se menos atraentes aos olhosdo comprador.

Levados também pelo forte crescimento urbano registrado
nos últimos anos e que impulsionou os moradores das grandes
metrópoles a passarem mais tempo em casa, preocupados com a violência e com o intenso tráfego, os imóveis usados só viram seu valor de mercado e suas vendas despencarem. Somente em São Paulo, a venda deste tipo de imóvel, em maio desse ano, registrou uma retração de 13,01% reforçando o histórico de queda.

Enquanto isso, entre os lançamentos, os itens de lazer tornam se fundamentais na decisão da compra. Surgiram os condomínios clube com varandas gourmets, academias, garage band, bosque privativo, piscina comondas artificiais, pipi dog, entre outras opções que ameaçam a atratividade dos imóveis idealizados quando ainda podia-se brincar de pega-pega pelas ruas.

Assim, com a dificuldade de aumentar a área comum dos empreendimentos, os proprietários e interessados em trocar de imóvel aderiram ao que se chama de lifting construtivo, ou seja, elevar a atratividade do empreendimento para que seu valor de mercado seja mantido ou até mesmo aumentado.

Muitos condomínios erguidos nas primeiras regiões paulistanas a se verticalizarem como Jardins, Centro, Higienópolis e Pinheiros já foram submetidos à “cirurgia plástica” imobiliária e sofreram uma verdadeira repaginação que os devolveu ao mercado.

Contudo, a opção pelo lifting não é tarefa das mais fáceis, visto
que envolve a decisão de muitos proprietários e a prática não é
tão difundida por aqui quanto em mercados maduros, como o americano e europeu.

Para não haver problemas na hora da elaboração e execução
do projeto, é importante levar-se em consideração alguns cuidados como, por exemplo, a contratação da empresa responsável pela mão-de-obra e a finalidade da repaginação.

É comum deparar-se com empreendimentos bem localizados,
com espaçosos apartamentos, mas sem varanda, sem área de
lazer, com guaritas que não fazem mais sentido ou ainda uma
piscina em local que deixou de receber a luz do sol e por isso é
pouco utilizada.

A solução tem sido o investimento em adaptações que podem
vir desde a construção de uma estrutura que trará a tão deseja
varanda, a compra do terreno vizinho como forma de ampliar
a área de lazer ou a instalação de uma cobertura e aquecedor
que trará de volta a piscina para o dia-a-diado condomínio.

O custo de não reformar 

Todas estas soluções, sem dúvida, farão com que o imóvel receba um novo fôlego dentro do mercado já que, hoje, alguns itens de lazer tornaram-se commodities e quem não aderir à onda será levado por ela. O fato é que mais do que arrumar a fachada e aparar a grama, os empreendimentos que não se atualizar em com a demanda do mercado, estão fadados a
ver em seu valor venal despencar e o investimento para uma retomada na valorização subir a patamares incompatíveis à vida financeira do condomínio.

*Renê Braga é engenheiro responsável da Spazio K, empresa
do Grupo Kauffmann

 

 

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