06/05/2007

A capital brasileira do sol

Fonte: O Globo

Belo Horizonte é exemplo no campo da energia solar. Prédios do Rio serão mapeados

Gladyston Rodrigues Zap o especialista em imóveisEm Belo Horizonte estão 60% dos 2,266 milhões de metros quadrados de placas solares instaladas no país. São 1.950 prédios na cidade

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Apelidos e qualificações não faltam a Belo Horizonte: cidade do sol, capital brasileira da energia solar ou case de sucesso internacional. A vocação mineira nasceu nos anos 90 e hoje ostenta números bem acima da média nacional. Quatro por cento (1.950) dos imóveis residenciais da metrópole utilizam coletores de energia — a ferramenta mais difundida entre as iniciativas de arquitetura sustentável, ou seja, aquelas usadas para reduzir o impacto ambiental das construções. A taxa deixa longe o 1,6% da média do Brasil.

Segundo o Green Solar, centro de estudos de energia solar da PUC Minas, no ranking dos países com maior metragem de placas instaladas por habitante, o Brasil ocupa a 20ª colocação, com 1,27 metro quadrado por 100 mil habitantes, enquanto Belo Horizonte alcança um índice equivalente ao terceiro melhor resultado global: nada menos do que 56,6.

— Você não pode querer ser verde se ainda está no vermelho — diz Elizabeth Marques Pereira, coordenadora do Green Solar.

É certo que a renda comprimida impede um maior investimento. Segundo especialistas, no entanto, com o advento de novas tecnologias, que barateiam os equipamentos, a energia solar promete ganhar intensidade em diferentes cidades. Em pauta, projetos de leis e estudos realizados por universidades e concessionárias. A partir de junho, por exemplo, Eletrobrás, Uerj e Green Solar vão fazer o censo de placas solares no Estado do Rio.

‘Ganham natureza, cliente e empresa’

O esforço segue o exemplo de Minas Gerais, que deslanchou no início da década passada. Na ocasião, a concessionária de energia elétrica do estado, a Cemig, encarou a energia solar como um negócio e passou a desenvolver uma série de estudos nesse campo. Comparou os gastos residenciais entre os prédios que tinham e os que não tinham placas coletoras. A pesquisa mostrou que, só nos gastos com chuveiro elétrico, a economia chegava a 80%.

— Reduzindo o uso de energia no horário de pico, não precisamos investir em sistemas para suportar o consumo acima da média apenas nessa faixa. Ganha o consumidor, que gasta menos, a empresa e o meio ambiente, que não sofre com mais poluição — explica José Carlos Ayres Figueiredo, engenheiro de soluções energéticas da Cemig.

O fato é que, mais de dez anos depois, outras cidades buscam inspiração na metrópole mineira. Em Góias, a Celg fará projeto semelhante ao de Belo Horizonte este ano. Salvador criará uma comissão municipal só para discutir o assunto. Porto Alegre aprovou a primeira lei — ainda não sancionada — que incentiva o uso de energia solar nas edificações. Curitiba também criará programa de benefício fiscal. A Universidade de São Paulo (USP) desenvolve janelas inteligentes, com placas solares; em Birigüi, o uso do coletor é obrigatório em casas de baixa renda desde o ano passado.

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