02/12/2008

A hora dos “”edifícios verdes””

Fonte: O Globo

Setor tem investido mais em projetos com uso mais racional de energia e água, entre outros requisitos

Estima-se que os edifícios consumam mais de 40% de toda a energia produzida no mundo. Além disso, seriam responsáveis por 35% a 40% de todo o lixo derivado da ação humana. Para reduzir esses e outros impactos da construção civil no meio ambiente, bem como o alto custo da operação desses prédios, o setor tem investido em “edifícios verdes”, projetos com uso mais racional de energia e água, entre outros requisitos. No Rio de Janeiro, um empreendimento nessa linha é o Ventura Corporate Towers, da Tishman Speyer e da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário, que recebeu a pré-certificação Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), da ONG americana U.S. Green Building Council.

Localizado no Centro, o prédio, de R$500 milhões, é composto de duas torres de escritórios de 36 andares. Em setembro, foi inaugurada uma delas, com 54 mil metros quadrados de área para locação (a outra será em 22 meses). Estar pré-certificado significa que foi apresentado um planejamento mostrando como os requisitos da Leed seriam atendidos. Agora, o empreendimento está sendo alvo de uma auditoria para receber a certificação. A Tishman é a responsável pelo projeto e pela administração do edifício, tendo entrado também com o investimento. A Camargo Corrêa ficou com a construção e também investiu na obra.

Compensa fazer um “edifício verde” – diz Luiz Henrique Ceotto, diretor de Projeto e Construção da Tishman. – Uma coisa é certa: as commodities energéticas e a água vão subir de preço muito acima da inflação nos próximos anos. Acabou a época de energia abundante, de água barata, de recursos naturais baratos. A possibilidade de um edifício convencional se tornar inviável é grande, porque o custo de operação pode ser praticamente igual ao valor dos aluguéis. A sustentabilidade é uma questão ética, mas hoje em dia é ainda mais uma questão econômica.

Segundo ele, um “edifício verde” tem custo 4% a 7% mais alto. O investimento a mais retorna em dois a três anos. Já o valor total é recuperado em cinco a sete anos, enquanto num prédio convencional o retorno leva de dez a 12 anos.

A certificação da Green Building leva em conta o empreendimento desde a obra. Na construção, por exemplo, é preciso usar madeira certificada e reciclar ao máximo o entulho.

O Ventura, segundo o diretor da Tishman, economizará cerca de 30% de energia. Para isso, o desenho do prédio privilegia o aproveitamento da claridade natural. Vidros especiais deixam a luz passar, mas não o calor, reduzindo a exigência de ar-condicionado. Além disso, um sistema computadorizado analisa a quantidade de CO2 em cada ambiente, determinando a troca ou não do ar (essa renovação gasta energia e não é necessária quando uma sala está vazia, por exemplo). A economia virá também dos elevadores, que reaproveitarão a energia de cada frenagem.

No caso da água, a redução prevista é de 40% a 50%, com aproveitamento da água da chuva e do ar-condicionado. Nos banheiros, torneiras são acionadas automaticamente e os vasos têm duas descargas: para dejetos líquidos (três litros de água) e sólidos (seis litros).

Diretor executivo do Green Building Council Brasil, Nelson Kawakami conta que já existem quatro espaços com a certificação Leed no país (três em São Paulo e um no Rio). Há 79 processos para certificação e a expectativa da entidade é fechar o ano com cem.

A construção de “edifícios verdes” é uma tendência. E a gente teve um crescimento rápido no Brasil, apesar de esse tipo de construção ainda ser uma parte pequena do mercado no país, menos de 1%.

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