23/07/2009

Criações sedutoras que vão decorar a sua casa

Fonte: O Estado de S. Paulo

Ross Lovegrove, que cria de carros a aviões e edifícios, hoje tem como foco o desenho de luminárias

É preciso ir além das aparências ao analisar a obra do designer inglês Ross Lovegrove. Enigmáticas, provocativas – mas sempre sedutoras -, suas criações não costumam se revelar logo ao primeiro contato. Quase nunca são o que, à primeira vista, sugerem ser. Mas quase sempre são bem mais do que inicialmente se poderia supor. 

Luminária da série Cosmic Angel, versão teto, da Artemide (Foto: Divulgação)
Luminária da série Cosmic Angel, versão teto, da Artemide (Foto: Divulgação)

Tomemos, como exemplo, a pequena Task Light, luminária recém-criada para a Danese, aparentemente tão mínima e delicada que praticamente convida ao toque. Um simples gesto, mas que, na prática, revela-se uma artimanha. Um artifício para comunicar que o controle luminoso da peça está onde menos se espera: ao alcance dos dedos do usuário.

Designer, pensador e visionário, Ross Lovegrove nasceu em Cardiff, País de Gales, e estudou Desenho Industrial em Manchester, na Inglaterra. Na década de 80, concluiu mestrado no Royal College of Art de Londres e, desde então, vive e trabalha no bairro de Notting Hill. “Com exceção do espaço aéreo, onde tenho grandes ideias, lá é o lugar que mais me inspira”, afirma.

Um dos mais influentes designers da atualidade (na última década foi simplesmente o personagem mais vezes citado pela revista italiana Domus, uma espécie de bíblia do novo design), seu trabalho, que tem como referências mais próximas a lógica e a beleza presentes no mundo natural, já foi apontado, não por poucos, como a própria expressão estética do século 21.

Sua criatividade exuberante, aliada à vitalidade que parece emanar de tudo o que ele projeta – de carros a computadores, de aviões a edifícios -, tem feito de seu estúdio um dos mais promissores na cena internacional. Lovegrove é detentor de uma eclética cartela de clientes que inclui, entre outros, as gigantes Sony e Apple Computers, além das francesas Airbus e Peugeot.

No setor do mobiliário, seu currículo não é menos estrelado: Kartell, Cappellini, Moroso, Dríade e Vitra já contam com suas criações em catálogo. Resultado de uma bem-sucedida parceria com a Artemide – que lançou no ano passado sua primeira coleção do designer -, o segmento de iluminação ocupa hoje o centro das atenções de Ross.

“O trinômio tecnologia, pesquisa de novos materiais e formas inspiradas na natureza, base do trabalho dele, encontra plena expressão no campo da iluminação”, declara Ernesto Gismondi, presidente da empresa milanesa. Após o sucesso da linha Mercury, este ano Ross voltou a surpreender crítica e público com mais uma impactante coleção de luminárias.

Poucos designers são capazes de captar tão bem seu tempo, com sensibilidade poética e conhecimento técnico tão apurado quanto ele. Desde sempre fascinado pelo aspecto científico da existência – não pelo que ele tem de técnico, mas, sim, de humano -, Ross foi, sem sombra de dúvidas, o homem que melhor representou a última edição da Euroluce, a mostra bienal de iluminação realizada em abril em Milão, paralelamente ao Salão do Móvel. Entre suas fantásticas criações, a luminária Andrômeda – nas suas palavras, uma enorme criatura vagando no espaço – para a japonesa Yamagiwa.

INSETOS E RÉPTEIS – Desta feita, na mesma linha de trabalho para a Artemide, o designer revisita grandes estruturas onduladas de material plástico, que, graças ao desenho rugoso de sua superfície, capturam e multiplicam a luz emitida por dezenas de lâmpadas de baixo consumo, tipo LEDs. Como referências, insetos e répteis. Mas também a botânica e o espaço cósmico.

“A beleza nas criações de Ross não está no exotismo de suas formas, mas nas proporções, na força comunicativa que ele consegue extrair dos componentes tecnológicos”, afirma Carlotta de Bevilacqua, arquiteta à frente da Danese, empresa com sede em Milão e que acaba de lançar duas novas luminárias com sua assinatura: o lustre R-Ray e a Task Light.

De uma simplicidade espartana, as luminárias criadas para a Yamagiwa japonesa,lançadas este ano durante a Semana do Design confirmam a tese de Bevilacqua. Para além do inusitado formal, a aparente simplicidade das formas apenas dissimula a complexidade do projeto, baseado em sofisticados processos de trabalho com vidro espelhado. Nada a surpreender, portanto, em se tratando de Mr. Lovegrove.(marcelo.lima.antena@estadao.com.br).

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