09/03/2007

A redescoberta de um ‘clássico’

Fonte: Jornal da Tarde

Recuperação do Centro já atrai empreendimentos para essa região rica em história e infra-estrutura

Eduardo Nicolau/AEZap o especialista em imóveisTerreno em frente ao Largo do Arouche, onde se construirá um novo empreendimento residencial, com 120 apartamentos, o primeiro do gênero na região em cerca de três décadas

 

 

 

 

 

 

 

 

O Centro de São Paulo foi palco de diversos momentos importantes da história nacional. Foi nas escadarias do ‘Theatro’ Municipal que, em 1922, o escritor Oswald de Andrade, a pintora Tarsila do Amaral e o músico Heitor Villa-Lobos, entre outros artistas de vanguarda, lançaram a Semana de Arte Moderna, um marco da cultura brasileira do Século 20.

Dez anos depois, em maio de 1932, a região assistiu a mais um fato importante da história de São Paulo e do Brasil, o início da Revolução de 1932. Em um confronto com a polícia, foram mortos os estudantes de Direito Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, a gota d’água para que os paulistas se levantassem contra a ditadura de Getúlio Vargas.

O tempo passou e, entre as décadas de 1960 e 1970, no entanto, mudanças na lei de zoneamento inibiram as ofertas de novos imóveis, o que contribuiu para o esvaziamento da região.

Embora ainda esteja muito longe da glória e do status de outros tempos, o Centro continua com um charme todo especial e reúne diversas opções de trabalho, estudo e divertimento, que atraem diariamente cerca de dois milhões de pessoas, de acordo com dados da Associação Viva o Centro, organização não-governamental que faz a ponte entre os moradores e comerciantes e o poder público na busca de melhores condições para o local.

Segundo Marco Antonio Ramos de Almeida, superintendente da instituição, o nome tem duplo sentido: o de homenagear a região e também sugere a intenção de freqüentar o bairro e aproveitar o que o Centro oferece de melhor em infra-estrutura e lazer.

Na opinião de Marco Antonio, durante muito tempo tentou-se esconder o Centro de São Paulo e seus problemas, mas, felizmente, o panorama mudou.

Há onze anos, a Viva o Centro desenvolve ações locais junto à comunidade e a empresas para conservação do mobiliário urbano local e reivindicações junto ao poder público.

O novo astral que toma conta da região tem atraído empreendimentos residenciais e comerciais, como um condomínio de 120 apartamentos a ser erguido pela TPA Participações, cujas vendas tiveram início no Carnaval, e um hotel da rede Accor, da marca Formule 1, com 260 apartamentos com inauguração prevista para abril.

Para quem quer diversão, as opções também são variadas. Há a Sala São Paulo, com programação musical diversificada, o Centro Cultural Banco do Brasil, que reúne exposições, lançamentos literários e programações de cinema e artes plásticas e o próprio Theatro Municipal.

Fãs de livros e DVDs podem encontrar um sem número de ofertas em um giro pelos diversos sebos instalados na região e, tarefa cumprida, chega o momento do refresco em um dos bares ou restaurantes da área, que chamam a atenção seja pelo ambiente aconchegante ou pela tradição, com várias décadas de existência em um mesmo endereço.

Esta edição do JT Imóvel mostra várias alternativas de lazer e moradia no Centro de São Paulo, um ponto da cidade que pode ter perdido parte do viço, mas jamais a classe.

Vivendo no centro 

43
organizações
de representação de moradores e comerciantes existem no Centro da Cidade. O objetivo é atingir 112 nos próximos
cinco anos

4 mil
associados
atuam nessas organizações de preservação da região central

70%
dos participantes
são empresas atuando na região

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.