04/11/2009

A retomada do crescimento

Fonte: O Globo

Não é de hoje que a economia brasileira vem dando sinais de que a crise internacional foi mesmo uma marolinha por aqui. A boa notícia agora é que a luz do crescimento está apontando para o setor produtivo. Os sinais são claros, pois, como forma de garantir o crescimento acelerado do país, ele começa a pressionar o governo por mais estímulos.

Um recente estudo do economista Julio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica, sobre a capacidade instalada nos diversos setores da indústria, mostra que em alguns deles a utilização já está próxima dos níveis pré-crise, reforçando a necessidade e a urgência de novos investimentos como forma de conter as pressões inflacionárias e o aumento de juros.

O assunto foi muito bem abordado por uma reportagem do Globo, publicada no domingo, dia 11 de outubro. O estudo mostra que, na média, o nível de utilização na indústria de transformação chegou perto de 82% em setembro, com crescimento previsto de 0,85 ponto percentual por mês no último trimestre. O estudo lembra que, no fim do ano passado, pouco antes do auge da crise, a utilização estava em 86,6%.

O economista calcula que, se o grau de utilização continuar crescendo nesse ritmo, em seis meses chegará perto de 85%, nível que prevaleceu no período de exuberância da indústria no pré-crise. Segundo ele, esse é um nível que levaria os empresários a fazerem planos de novos investimentos. Por outro lado, o economista também alerta que isso poderia levar o Banco Central a aumentar os juros para conter as pressões inflacionárias.

O estudo de Julio de Almeida mostra ainda que, em alguns setores da indústria, os gargalos são mais evidentes – caso de material de construção (cujo indicador já atingiu 89,3%) e bens de consumo em geral (84,4%), que são preocupações evidentes a curto prazo. Já nos setores muito afetados pela crise e naqueles que não contaram com compensações fiscais do governo (redução do IPI, por exemplo) há ainda alguma folga. Esse é o caso dos setores mobiliário e de bens de capital.

A produção segue o mesmo caminho. Segundo o IBGE, dos 26 subsetores pesquisados, seis já ultrapassaram o patamar de setembro de 2008, o mais alto da série histórica. Outros três – mobiliário, refino de petróleo e álcool e alimentos – devem ter alcançado esse ritmo de produção no mês passado. Alguns especialistas, inclusive, afirmam que já existem sinais concretos de pressões inflacionárias para 2010.

O governo, no entanto, tem se mostrado hábil nessas questões. Mesmo com a crise, o país conseguiu, através da sua política econômica, manter por aqui seus principais investidores. Os técnicos do governo, por sua vez, lembram que os estímulos para o setor produtivo foram desempenhados pela política anticíclica, implementada em meio à crise global, e que a margem fiscal, agora, é bem menor.

As desonerações tributárias postas em prática, como a redução do IPI para automóveis e a linha branca, representaram uma renúncia fiscal de R$25 bilhões este ano. Também há que se reconhecer que o governo acertou ao criar os incentivos do BNDES para a compra de bens de capital, com financiamento de longo prazo e juros subsidiados de 4,5% ao ano. Esses incentivos poderiam até permanecer combinados com a desoneração dos investimentos. Mas os técnicos, entretanto, consideram que o importante seria desonerar a folha de pagamento das empresas. Só que essa medida exige uma renúncia fiscal num momento de queda de arrecadação, o que não deve acontecer.

O importante disso tudo é ver que o país está no caminho certo. Não há espaço para o aumento de preços na indústria. Qualquer bem que sofrer reajuste será substituído pelo importado. Com o câmbio valorizado, aliás, muitos já estão deixando de produzir, para importar. Os próprios representantes industriais admitem que o setor está, sim, aquecido, mas não é só isso que deve pressionar a inflação em 2010.

Eles lembram que a construção civil – que recebeu incentivos como o lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida – deve crescer entre 2,5% e 3% este ano e mais 5% em 2010. É preciso, contudo, investir em mão de obra e continuar trabalhando com medidas que aumentem a competitividade das empresas e reduzam custos. Até aqui, o governo tem agido bem. Mas seu papel de protagonista desse crescimento só se manterá se ele continuar a fazer seu dever de casa.

Bernardo Ariston (PMDB-RJ) é presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.

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