01/02/2007

A saúde das plantas nos jardins

Fonte: Editoria Zap
Zap o especialista em imóveis

É comum os paisagistas serem consultados sobre a saúde das plantas. Muitos são os interessados em saber por que as folhas estão enrugadas; por que a planta não cresce; e assim por diante, freqüentemente a razão desses problemas está na falta de planejamento do jardim.

Plantas são como seres humanos. Necessitam serem cultivadas no lugar certo. Um homem que vive num porão, num lugar úmido, sem sair de casa, está “pedindo” para ficar doente ou pegar um resfriado que pode se desenvolver em uma gripe. E, no corpo debilitado podem surgir doenças oportunistas que se aproveitam de suas fraquezas. É exatamente assim com as plantas.

Um jardim saudável nasce de um bom projeto de paisagismo que considere as exigências de cada planta. A principal delas é o tipo de luminosidade que requer. Basicamente, na natureza existem dois tipos básicos de plantas: as heliófilas e as umbrófilas. Ambas palavras têm sua origem na língua latina e grega: helio= luz, filos = amigo de, o que significa no primeiro caso, plantas amigas-da-luz que exigem o máximo de luz durante todas as horas do dia. Não podem receber o sol da manhã e deixar de receber a luz do sol da tarde. Necessitam luz durante todo o período diurno, o que ocorre principalmente com as espécies de grama, as espécies de plantas floríferas anuais e semi-perenes.

Já as umbrófilas são plantas amigas-da-sombra, que gostam de sombra durante todo o dia. Mas não a sombra demasiada, como aquela do canto mais obscuro de nossa casa. Plantas sempre requerem luz para crescer e no caso destas últimas, luz indireta.

Entre um e outro tipo, existem diversas nuances quanto às exigências de luz. Daí a necessidade de conhecermos bem cada espécie de planta que vamos selecionar para nosso jardim.

Uma planta heliófila colocada num local à sombra está sujeita a ter o crescimento de suas folhas alongado à procura de luz. Elas, as folhas, ficam mais longas e estreitas e havendo menos luz ainda, começam a ficar amareladas. Técnicamente, denominamos esse sintoma de “estiolamento”, resultado da planta que cresce sem as condições de luz genéticamente necessárias em função da espécie. E nesse alongamento, ocorre uma debilidade do sistema vital da planta, tornando-a mais vulnerável à incidência de pragas, principalmente as cochonilhas e pulgões. Pragas que não surgiriam se essa espécie estivesse crescendo à pleno sol, com todo vigor e, consequentemente, mais resistente.

O inverso também é verdadeiro. Plantas umbrófilas, em pleno sol, ficam esturricadas, não se desenvolvem e as folhas ficam também amareladas, de um amarelo mais intenso comparativamente à planta estiolada. Amarelo esse que tende a ficar cor-de-palha quando as folhas começam a ficar “queimadas” pelo sol.

Outro cuidado importante no trato do jardim, e raramente mencionado, é aquele para com as ferramentas. As ferramentas têm de estar limpas. Limpá-las quando terminamos os trabalhos do dia. No caso das tesouras de poda, limpá-las também quando passamos a utilizá-la em outra planta ou outra espécie de planta. A questão da higiene no trato das plantas é similar à higiene humana: lavamos nossa louça, nossas roupas e os médicos e dentistas sempre higienizam seus aparelhos antes de utilizá-lo em um outro paciente. Ferramentas sujas e não limpas, podem transmitir doenças, principalmente fungos e viroses. E enxadas e pás sujas de terra podem levar consigo sementes de ervas más e mesmo o bulbinho da temida tiririca.

Adubações corretas também colaboram na resistência das plantas. O pó calcáreo, além de melhorar o PH do solo, também dificulta o aparecimento de doenças oportunistas que atacam as raízes e o cloreto de potássio é um produto químico excelente para deixar as plantas sadias e mais resistentes à incidência de doenças e pragas.

É muito bom que os interessados em ter plantas saudáveis num jardim, pensem bem nos fatores citados. Porque depois que as pragas e doenças aparecerem, estaremos diante de um sério problema, que pode afetar não só o jardim de uma casa, como também os de toda a vizinhança. Há uma responsabilidade social e ética nisso. E não considerar o acima exposto, quando estivermos diante de ataques severos de doenças e pragas, vai nos levar à necessidade do controle químico, normalmente indesejável, dado seus riscos às crianças, animais domésticos, nós mesmos e ao próprio meio ambiente. Já ataques não severos podem ser resolvidos por métodos mais simples, como catação do predador e uso de produtos orgânicos que não causem dano às demais formas de vida, como a calda de fumo que controla os pulgões. Agora, é bom frisar, uma ou outra doença e praga, não severa, é perfeitamente aceitável e podemos conviver com elas. O problema é quando elas extrapolam seu dano e faz-se necessário utilizar medidas mais drásticas.

*Rodolfo Geiser – Engenheiro agronomo e paisagista 

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