01/04/2010

Ações de construção caem após anúncio de programa do governo

Fonte: Agência Estado

Investidores divergem sobre consequências para as empresas da extensão do Minha Casa, Minha Vida

Ações de construtoras e incorporadoras lideravam as maiores baixas (Foto: Divulgação)
Ações de construtoras e incorporadoras lideravam as maiores baixas (Foto: Divulgação)

São Paulo – As ações de construtoras e incorporadoras lideravam as maiores baixas do índice nesta segunda-feira, data marcada pelo anúncio da extensão do programa habitacional do governo Minha Casa, Minha Vida. Às 16h20, PDG Realty ON operava em baixa de 4,41%, seguida por MRV ON (-3,60%), Gafisa ON (-3,30%) e Cyrela ON (-2,13%). No mesmo horário, o Ibovespa subia 1,70%, aos 69.851,44 pontos.

Para o analista de construção civil da Fator Corretor, Eduardo Silveira, a perspectiva de o programa atender uma parcela maior do que o esperado da faixa de 0 e 3 salários mínimos parece não ter agradado aos investidores. “Uma das interpretações possíveis para essa queda em bloco do setor é a que o programa está buscando se concentrar ainda mais na faixa menor de renda, o que fica meio fora do foco da maior parte das incorporadoras que têm participação no Minha Casa, Minha Vida, que é de 3 a 6 salários”, diz Silveira.

Na opinião do analista da Brascan Corretora, Cristiano Hees, a extensão do programa traz maior confiança na possibilidade de se transformar o grande potencial de demanda por habitações no País em uma demanda efetiva, embora não tenha alterado a capacidade individual de cada companhia com relação aos lançamentos.

Hees ressalta ainda que o anúncio não trouxe esclarecimentos sobre as propostas de mudança nas ineficiências já apontadas no programa atual. “Problemas como a diferença entre Estados e segmentos de renda, suas soluções e a demora de aprovações pela Caixa Econômica Federal ainda necessitam de resposta”, diz o analista, em relatório.

Na avaliação da Brascan, em volume de vendas contratadas, a MRV e a PDG Realty, que tem forte atuação no segmento econômico, serão as maiores beneficiadas. A Gafisa, por meio da Tenda, a Cyrela, com a Living, e a Rossi, com a marca Ideal, também deverão ser beneficiadas, apesar de estarem menos expostas nessa faixa de renda.

Além de incluir o Minha Casa Minha Vida no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o governo se comprometeu com a meta de construir 2 milhões de casas. Desse total, a perspectiva é que 60% serão para famílias com renda de até R$ 1,395 mil. O total de investimentos previstos para o programa Minha Casa Minha Vida no PAC-2, entre 2011 a 2014, é de R$ 71,7 bilhões. Desse total, R$ 62,2 bilhões vêm do Orçamento Geral da União.

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