17/09/2009

Agentes do sonho da casa própria

Fonte: O Globo

Houve um tempo em que solicitar um financiamento imobiliário à Caixa Econômica (CEF) demandava algumas idas e vindas – por vezes, demoradas – às suas agências. Águas passadas. No primeiro semestre deste ano, o número de correspondentes imobiliários do banco, isto é, “miniagências” instaladas em construtoras e imobiliárias, aumentou 230% em comparação ao mesmo período de 2008. De janeiro a junho, foram credenciados 957 correspondentes, contra os 290 de um ano antes. Hoje, são 2.361 espalhados pelo país, dos quais 266 estão no Estado do Rio. No município, há 164 empresas cadastradas.

Fazem parte do papel do correspondente a concessão de informações básicas, a apuração de renda, o cálculo de valores do financiamento pretendido, a entrevista pessoal e a assinatura do contrato. A aprovação do crédito, contudo, permanece a cargo da Caixa, que também se encarrega de fornecer treinamento aos novos credenciados.

Com apenas quatro anos de atuação no mercado, a Enes Empreendimentos Imobiliários tornou-se correspondente da CEF há dois meses. Recentemente, abriu sua imobiliária, a Enes Vendas. O credenciamento, afirma o presidente Leonardo Enes, foi essencial para a empresa, que fechou parceria com a Rossi para lançar um empreendimento, em Campo Grande, nos moldes do programa federal Minha Casa, Minha Vida. Para 2010, a expectativa é lançar no mercado unidades com valor total de vendas de R$100 milhões.

“O cliente se sente mais seguro e, sobretudo, aliviado por não precisar recorrer a uma consultoria ou despachante para tocar a operação”, diz Enes.

“MODELO AINDA PRECISA DE AJUSTES” – De maio a julho último, a Estrutura Consultoria – cadastrada pela Caixa em novembro de 2008 – assinou 800 contratos. Um aumento de 50% em relação ao mesmo período um ano antes. Fruto, diz Fábio Mello, diretor da empresa, do Minha Casa, Minha Vida. No ranking dos locais mais requisitados estão Niterói, Campo Grande, Nova Iguaçu e Belford Roxo.

“Um empreendimento em Belford Roxo, que, antes do programa, tinha 40 imóveis vendidos, passou a ter cerca de 200, cinco vezes mais. Ao mesmo tempo em que prestamos um serviço ao cliente, estamos desafogando as agências, que certamente ficariam sobrecarregadas com o aumento na procura por imóveis”, afirma Mello.

No último semestre, a MRV Engenharia também viu a demanda triplicar por causa do programa federal destinado à baixa renda. Embora tenha surtido efeito positivo, o modelo do correspondente imobiliário ainda precisa de alguns ajustes, segundo Dilson Júnior, gestor executivo de vendas da MRV para o Rio de Janeiro:

“O prazo para a aprovação do financiamento, por exemplo, precisa diminuir mais. Mas acredito que, em breve, tenhamos mais agilidade.”

MIMOS PARA CLIENTES DO SEGMENTO DE LUXO – Especializada em venda de imóveis de alto luxo, a Central de Imóveis, imobiliária da Concal Construtora, lançou mão de uma recém-fechada parceria com a Caixa para atrair clientes que até então mantinham um certo distanciamento do bochicho do mercado de crédito imobiliário. Em especial, da própria Caixa Econômica. O atendimento inclui mimos como contratos fechados no escritório ou até mesmo no conforto do lar.

“Na maioria das vezes, o cliente classe A não se predispõe a ficar indo e vindo do banco. Em contrapartida, ele tem um perfil peculiar, sabe de antemão as taxas e prazos praticados pelo mercado. Assim, o banco vai até eles. Com esse modelo, mais dinâmico, o financiamento pode sair em 20 dias. Antes, dependendo das pendências, chegava a 50 dias. Essa agilidade é essencial para clientes que precisam se ausentar do país com frequência. A Caixa se reposicionou e, com isso, conquistou essa fatia do mercado”, destaca a diretora comercial de vendas da Concal, Bianca Carvalho.

O resultado, completa Bianca, surpreendeu. Se antes a procura era por imóveis entre R$250 mil e R$300 mil, hoje são realizadas transações na faixa entre R$700 mil e R$800 mil:

“Fechamos cerca de duas operações mensais envolvendo valores acima de R$1,5 milhão. Um único imóvel do tipo custa o equivalente a mais de 20 unidades do Minha Casa, Minha Vida”, compara.

Para Rubem Vasconcelos, que está à frente da recém-criada empresa de crédito imobiliário da Patrimóvel, o aumento do número de correspondentes representa um avanço para o setor:

“A burocracia está sendo terceirizada. Ganha-se tempo. Mas isso só foi possível graças a três pilares: moeda estável, juros em queda e desburocratização do crédito. Hoje, o sonho da casa própria está mais fácil de ser realizado graças, sobretudo, ao Minha Casa, Minha Vida. Não à toa, os imóveis mais procurados estão concentrados na faixa até R$130 mil. O mercado está se reinventando”, diz o empresário.

Com a experiência de anos no setor imobiliário, Vasconcelos dá uma dica simples, mas que interfere na agilidade do processo de financiamento:

“O cliente precisa estar ciente dos documentos necessários para requerer o crédito habitacional. Por incrível que pareça, perde-se um tempo enorme com esse trâmite.”

CONTRATAÇÕES NO ESTADO BATEM RECORDE EM 2009 – O aumento do número de correspondentes imobiliários é parte, segundo a Caixa Econômica, do plano de expansão da rede. Além da concessão do crédito, os correspondentes fazem abertura de conta corrente e emissão de cartão de crédito, que permitem ao cliente uma redução de 0,5% nos juros do financiamento.No Estado do Rio de Janeiro, segundo informações do banco, as contratações chegaram a 34.876 unidades nos primeiros oito meses do ano (dados contabilizados até 28 de agosto), o que representa R$2,49 bilhões. A cifra é 118% superior ao mesmo período do ano passado.

Do total investido no estado, R$775 milhões são recursos provenientes do FGTS, o que representam 11.005 contratos. Já com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), as contratações somam R$1,641 milhão, em 22.721 contratos.

NO PAÍS, INVESTIMENTO SOMA r$ 25,6 BI EM 2009 – Até agora, informa a Caixa, foram apresentadas 86 propostas de empreendimentos nos moldes do programa Minha Casa, Minha Vida no Estado do Rio. Juntas, elas representam 14.748 unidades, no valor de R$1,25 bilhão. Destas, 1.205 estão no município do Rio. Já foram contratadas 1.449 unidades, com valor total de vendas de R$105,7 milhões.No país, o investimento do banco no setor habitacional já soma 25,6 bilhões em 2009, ante os R$23 bilhões realizados durante todo o ano passado.

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