26/01/2010

Ajuda à construção pode ser renovada

Fonte: O Estado de S. Paulo

Paulo Bernardo diz que o governo estuda prorrogar a desoneração para o setor, que terminaria em 30 de junho

Brasília – O governo avalia que o aumento de consumo nos últimos meses não está provocando inflação e estuda a possibilidade de manter os estímulos à construção civil, afirmou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Em 30 de março do ano passado, o governo reduziu as alíquotas de IPI para 30 itens de material de construção, com queda de 6% a 7% no preço final dos produtos. A medida, que inicialmente deveria durar três meses, foi prorrogada até 30 de junho do próximo ano. Bernardo informou que, no mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cerca de 30 milhões de pessoas passaram a consumir mais, o que, ao contrário, não gerou inflação e sim maior investimento no País.

Sem arriscar prever a decisão do Copom, que se reúne hoje e amanhã para definir a nova taxa Selic, atualmente em 8,75% ao ano, Bernardo concorda com a atuação preventiva do Banco Central, mas não ao ritmo “das especulações do mercado”. “O BC sempre procura agir preventivamente. E tem sido bem-sucedido. A inflação de 2009 foi de 4,31%.”

Em entrevista à Agência Estado, ele garante que, além do controle da inflação, também será cumprida a meta de superávit primário de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) e, se possível, sem utilizar os mecanismos de redução do esforço fiscal. “Na largada, estamos fazendo as contas sem esses mecanismos.” Ele relatou que “dia desses” conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concordou com a tese de adotar uma gestão “dura” do orçamento para cumprir os 3,3% do PIB.

Essa “gestão dura”, segundo Bernardo, não afeta os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A programação do governo é inaugurar essas obras no período eleitoral. Ele admite que as inaugurações mantêm os níveis de aprovação do governo, mas teme que não seja possível a transferência absoluta de votos de Lula para a pré-candidata do governo, Dilma Rousseff. “A transferência ficará entre 25% e 30% da população. A partir daí, será o debate da eleição”, disse, ao avaliar que uma parcela maior também deseja a continuidade das políticas do governo.

A continuidade não significa que o sucessor de Lula não possa aperfeiçoar os últimos anos de controle da inflação. “Fizemos mudanças na área fiscal, na política monetária, de crédito. Eu só não acredito nesse negócio de dizer: “Vou entrar e mudar tudo””, disse, referindo-se à entrevista do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, à Veja. “Qualquer um que quiser entrar e fazer grandes mudanças vai quebrar a cara.”

O legado do governo, comentou, será a possibilidade de continuar baixando os juros. Ele acredita que, mantendo esse rumo, o próximo governo poderá ter taxa de juros real (descontada a inflação) de 2,5% a 3% – com uma Selic na casa dos 6,5%.

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