20/01/2009

Alívio na inflação do aluguel

Fonte: Jornal da Tarde

IGPM registrou uma deflação de 0,31% na primeira prévia de janeiro

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que serve de base para reajuste dos aluguéis, registrou uma deflação de 0,31% na primeira prévia de janeiro. A queda dos preços no setor agropecuário e na indústria ajudou a arrefecer o indicador, que castigou o bolso dos locatários em 2008.

Nos 12 meses do ano passado, o IGP-M acumulou alta de 9,81% – enquanto a inflação usada pelo governo para a meta (IPCA) ficou em 5,9%. Neste ano, embora a crise econômica tenha dificultado as previsões, a aposta é de que o índice tenha um comportamento mais brando. “Precisamos esperar para ver, mas não acho impossível que o IGP-M feche o mês de janeiro com deflação”, avalia Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Para José Roberto Graiche, presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic), os reajustes que ocorreram em 2008 serviram para compensar uma defasagem nos preços dos imóveis que tinham contratos de locação mais antigos. Agora que os preços já estão “mais justos”, segundo Graiche, não há necessidade de haver uma correção que se sobreponha à inflação.

De acordo com Graiche, donos de imóveis maiores, com valores de locação mais altos, aceitaram negociar os reajustes no último ano. Muitos deles sequer aplicaram o IGP-M.

Porém, para quem aluga imóveis menores, especialmente na região central da cidade, não houve como escapar da alta. “Neste ano, a tendência deve ser a mesma: os inquilinos dos imóveis pequenos e bem localizados não terão muita margem para negociação. Já nos imóveis maiores é até possível pleitear reajustes inferiores ao IGP-M.”

José Roberto Federighi, vice-presidente de locação do Secovi-SP (o sindicato da habitação), avalia que em 2009 reajuste de preço dos aluguéis será norteado mais pelo mercado do que pelo próprio IGP-M. “O setor de locação deve continuar bastante aquecido”, prevê Federighi. “Enquanto houver um déficit muito grande de imóveis para locação em São Paulo, como o que existe hoje, haverá também espaço para os proprietários reajustarem os preços sem medo de o locatário ir embora.”

Ele conta que hoje os corretores demoram em média apenas uma semana para locar um imóvel.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.