30/10/2006

Alto padrão encalha nos Jardins

Fonte: O Estado de S. Paulo

Excesso de ofertas e preços altos, mais problemas de segurança e custo do IPTU dificultam as vendas

                        Tiago Queiroz/AEMudanças – Maria Luiza diz que tem muita casa vazia no bairro

“Somos os primeiros a parar e os últimos a reagir”, reclama Marcos Botelho, gerente da imobiliária Camargo Dias, encarregada de comercializar casas de alto padrão da região dos Jardins, em São Paulo, onde proliferam as placas de vende-se.

“Tem muita placa porque faltam recursos para investir em anúncios de jornal”, diz José Augusto Viana Neto, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP). Luiz Paulo Pompéia, presidente da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio, no entanto, diz que esta é apenas “uma boa desculpa. O problema é a superoferta”, diz.

Viana Neto ressalta que nem a imobiliária nem o proprietário e tampouco a população gostam delas. “A placa tem muita visibilidade, mas apenas para quem passa pelo local. Não é a melhor forma de vender”, diz. Botelho, no entanto, acredita que o melhor método são todos juntos. “E a placa é um ótimo instrumento de venda”, avalia.

O descontentamento da população aparece no Creci, onde há um aumento considerável de denúncias. “É preciso autorização para colocar um anúncio de venda na calçada, por exemplo, e muitos não se preocupam com isso. Aí o pessoal liga aqui denunciando que as placas atrapalham”, conta.

Pompéia identifica motivos específicos para a superoferta de imóveis nos Jardins. “O público dessas residências está mudando para condomínios horizontais”, diz. As razões são de ordem financeira. “Quem mora nos Jardins ou paga um sistema de vigilância permanente ou é assaltado”, diz.

Tiago Queiroz/AESuperoferta – Casa à venda na Rua Atlântica, no Jardim América

Nos condomínios, os custos com segurança são divididos entre todos, portanto caem muito. “E, como são horizontais, oferecem as mesmas vantagens de uma casa nos Jardins, ou seja, terrenos amplos e ajardinados, com ruas e praças idem”, explica.

Há também o envelhecimento da população local. “As famílias vão ficando menores com o casamento dos filhos. Fica só o casal, que prefere mudar para outro imóvel, ainda de alto padrão, porém menor”, diz.

Isso tudo, somado à especulação, que elevou o preço médio do metro quadrado, provocou a superoferta e a conseqüente multiplicação de placas no local.

A falta de liquidez é explicada pela supervalorização do imóvel. “O proprietário não tem tanta necessidade assim de vender e não se dispõe a baixar o preço. Tem imóveis à venda há mais de 4 anos aqui”, conta o gerente. O valor do metro quadrado nos Jardins varia R$ 1,5 mil a R$ 4 mil, o segundo mais caro de toda a região metropolitana de São Paulo. O primeiro do ranking é o Jardim Europa, que registrou preço médio nos últimos três anos de U$ 1,6 mil. Maria Luiza Aranha conta que passou 47 dos seus 55 anos nos Jardins e diz que o bairro está mudando muito. “Tem muita casa vazia e o IPTU é alto demais”, diz. Ela paga R$ 1,8 mil por mês de IPTU e acha que não recebe do poder público uma contrapartida justa.

Botelho acredita que neste ano a situação melhora, assim como Pompéia e Viana Neto. “Tivemos um aumento significativo na procura em janeiro. Isso sinaliza um bom ano”, diz . Excesso de oferta e preços altos, mais problemas de segurança e custo do IPTU dificultam as vendas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.