10/06/2007

Aluguéis perdem espaço no mercado

Fonte: O Globo

Com condições mais flexíveis, casa própria tem prestações que começam a caber no bolso

Arte de Luciane Costa com fotos de Nelson Perez e Leícia Pontual Zap o especialista em imóveisErick de Araújo, que aproveitou o prazo de 20 anos e fechou contrato para pagar R$ 320 mensais por uma casa em Niterói. Sérgio Donatello, que negociou um imóvel na Lapa, conseguindo deixar a entrada para quando receber as chaves, no ano que vem. E Rodrigo Lima, que está pagando aluguel e um imóvel na planta: as duas despesas não chegam a mil reais

Há sete anos morando de aluguel, o arquiteto Sérgio Donatello não vê a hora de receber as chaves de seu primeiro imóvel. Mesmo sem ter economias guardadas para a entrada, Donatello acaba de fechar um contrato de financiamento prefixado para comprar um apartamento na Lapa, que ainda está em construção. Por dez anos, o arquiteto vai pagar R$1,2 mil ao mês:

— O financiamento foi bem flexível. Mostrei ao banco quanto eu poderia pagar por mês e acabei chegando a esse prazo, que poderia ser até maior. Só vou dar a entrada ano que vem, quando receber o imóvel.

Ainda são 8,5 milhões de famílias que pagam aluguel no Brasil, representando 16% do total de domicílios. Mas, segundo especialistas, esse número começa a dar sinais de queda. Isso porque, assim como Araújo, muita gente está aproveitando a flexibilidade oferecida pelos bancos para dar adeus à vida de inquilino. De janeiro a abril deste ano, só as instituições privadas emprestaram R$4 bilhões para financiar 48 mil imóveis — quantidade 60% maior do que a do mesmo período do ano passado.

Entre as causas da mudança está a queda dos juros básicos da economia — na semana passada, a Selic perdeu mais 0,5 ponto, passando a 12% — que vem reduzindo as taxas no setor: se antes era praxe o mercado imobiliário cobrar 12% mais Taxa Referencial (TR) ao ano, hoje é possível encontrar linhas com juros a partir de 8% mais TR. Ou com taxa prefixada (sem TR), que permite ao comprador saber quanto pagará até o fim do contrato.

Maioria dos bancos dá prazo de até 20 anos

O Bradesco, por exemplo, acaba de reduzir sua taxa prefixada de 14% para 12,5% ao ano. Por mês, os juros passam a ser de 0,98%, destaca Ademir Cossiello, diretor-executivo da instituição:

— É menos do que o aluguel dava ao investidor, tradicionalmente, 1% do valor do imóvel. Taxa que, aliás, vem caindo.

O percentual financiado, que até 2004 era de até 60% nos bancos privados, chega hoje a 80% na maioria das instituições — na Caixa Econômica pode ser de 100%. O prazo para pagamento também foi estendido: passou a 20 anos. O representante de nutrição infantil Erick de Araújo, aliás, aproveitou esse alongamento para obter uma prestação que não comprometa sua renda. Por 20 anos, pagará R$320 mensais:

— Depois de três anos pagando aluguel de R$500, acabo de me mudar para meu primeiro imóvel próprio.

Agora, se a atual queda de juros leva mutuários que têm contratos anteriores a pensar que podem renegociar, José Pereira, superintendente-técnico da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), alerta: negociações sempre são possíveis, mas os bancos não têm a obrigação de fazê-las.

— Da mesma forma, se as condições da economia pioram e as taxas de juros aumentam, os bancos não podem alterar contratos fechados.

 

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