30/06/2011

Aluguel deve continuar batendo IGP-M

Fonte: O Globo

Apesar do recuo do índice em junho, contratos tendem a subir acima da inflação. Desde 2009, valor da locação supera o indicador que regula o setor

Contratos no setor devem continuar subindo (Foto: Divulgação)
Contratos no setor devem continuar subindo (Foto: Divulgação)

O que pareceu uma boa notícia para os locatários, na prática, não é. Apesar do recuo do IGP-M, o índice que reajusta a maioria dos alugueis, os contratos no setor devem continuar subindo bem acima da inflação. Segundo especialistas, é reflexo da economia aquecida, do aumento da renda e da escassa oferta de imóveis para locação. Ontem, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que o IGP-M registrou queda de 0,18% em junho, na primeira deflação desde dezembro de 2009. No acumulado de 12 meses, a taxa é de 8,65%. Dados do Secovi-SP mostram que desde 2009 o valor médio do aluguel residencial sobe acima do IGP-M e do próprio IPCA, índice oficial de inflação.

“O valor de mercado do aluguel tem subido em média acima de 15%. A conjuntura é favorável ao locador porque dificilmente o locatário encontra melhores preços num aluguel novo”, diz Cícero Yagi, consultor do Secovi-SP.

No Rio, a situação é mais complicada em bairros nobres da Zona Sul, como Ipanema e Leblon, com baixíssima oferta e enorme procura. Nessas regiões, o metro quadrado para locação subiu 41,62% e 38% desde junho passado, diz o Secovi. A Apsa viu o número de consultas à sua central chegar a 14 mil chamadas em maio. O gerente-geral de Imóveis da administradora, Jean Carvalho, avalia que a alta superior à inflação é um movimento de recomposição de preços, que ficaram defasados por muito tempo. A empresa acaba de renegociar três mil contratos no Rio e diz que chegou a acordo em 95%.

“Em média, encontramos defasagem de 50% e conseguimos recompor 30%. Orientamos o cliente a renegociar ou buscar novo imóvel em bairros menos valorizados”, diz Carvalho.

Ao sentar à mesa, especialistas recomendam que o locatário antigo valorize o fato de ser adimplente e não representar o mesmo risco de novo contrato.

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