03/02/2010

Aluguel: procura sobe e desconto some

Fonte: Jornal da Tarde

Em algumas regiões da capital ainda é possível pechinchar, mas a negociação está difícil

Descontos obtidos na hora de alugar oscilam durante todo o ano (Foto: Tiago Queiroz/AE)
Descontos obtidos na hora de alugar oscilam durante todo o ano (Foto: Tiago Queiroz/AE)

Quem procura um imóvel para alugar em São Paulo tem tido mais dificuldade para conseguir descontos na hora de negociar o valor. Isso é o que mostra pesquisa do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci) feita em novembro, último mês com dados divulgados.

Nas zonas A e B, mais nobres da cidade e que engloba Higienópolis, Perdizes, Vila Mariana e Paraíso, há casos em que não houve nenhum abatimento no preço naquele mês. Nas outras zonas da cidade, ele atingiu no máximo 9%, valor obtido na Zona E, que inclui Itaim Paulista e Campo Limpo, por exemplo. Na Zona C, que abrange bairros como Lapa e Barra Funda, o desconto foi de 5% e, na Zona D (Belém, Centro, Liberdade), de 6,66%.

“Os descontos são regulados pela oferta e a procura. Como o mercado está aquecido e faltam unidades para alugar, pode indicar que muitas pessoas se submeteram aos preços impostos pelos donos do imóvel em regiões mais procuradas”, explica José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP.

Há cinco anos a consultora Priscila Damasceno, 30 anos, conseguiu um desconto de R$ 50 ao alugar um apartamento de um dormitório no Brooklin. Para isso, se propôs a antecipar ao menos três parcelas do pagamento. Em dezembro, na renegociação do contrato, a dona do imóvel quis aumentar o valor em 30% .

“A queda da inflação não foi considerada. Sei que o preço está abaixo do que é pedido hoje no mercado, mas consegui convencê-la a mantê-lo. Caso contrário, teria que procurar um apartamento mais barato em outra região.”

Os descontos obtidos na hora de alugar oscilam durante todo o ano por causa de interferências sazonais. Itens como melhorias realizadas no bairro e índices de emprego podem aumentar a procura, e também os preços.

Roseli Hernandes, gerente de locação da administradora Lello, afirma que é comum no mercado dar desconto, em geral de até 10%, apenas em troca de benefícios, como reformas no local. “Diante desse cenário de disputa de poucos imóveis, é muito difícil negociar preços”, diz Roseli. “Quanto menor o apartamento, menor o desconto, pois um abatimento de R$ 50 pode representar 5% do valor. Eles são mais fáceis em locações de imóveis maiores.”

Para Roseli, a tendência é que os preços do aluguel continuem a subir este mês, com a procura maior por estudantes.

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AÇÕES – De acordo com balanço do Secovi, as ações relacionadas ao aluguel na cidade cresceram cerca de 9% no ano passado ante 2008. Ações por falta de pagamento somaram 19.789 casos, 86,79% do total. Para o Secovi, a tendência é que elas diminuam este ano com a nova lei do inquilinato, que passou a valer no final de janeiro para novos contratos. Estima-se que a ação de despejo, que levava em média 12 meses, seja concluída em até seis meses. Antes, o período era de uma vez por ano.

 

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