18/10/2010

Ambitetura: arquitetura do ambiente

Ambitetura: arquitetura do ambiente

Fonte: Revista do ZAP

Conceito prega mais interação entre o planejamento das cidades e o espaço natural onde elas são construídas

Em megacidades é difícil ir de um lado a outro sem enfrentar um engarrafamento, e esse problema se estende cada vez mais a cidades menores. Os edifícios novos reduzem a área construída e colaboram para a sensação de sufoco. Enquanto isso, áreas menos valorizadas ou com baixa infraestrutura crescem de forma inadequada nas periferias. Para tentar equilibrar paisagem natural, urbanismo e qualidade de vida, um novo conceito ganha espaço: a Ambitetura.

Antes que se imagine que a proposta é uma simples fusão entre as palavras ambiente e arquitetura, o arquiteto argentino Rubén Pesci, esclarece:

– Arquitetura, cidade, território e visão integrada na construção do ambiente. Ambitetura é um contínuo social e ambiental.

ambitetura

Pós-graduado em Roma e em Veneza, Pesci criou, em 1974, a Fundação Cepa – Centro de Estudos e Projetos do Ambiente, ONG líder na América Latina em projetos ambientais e responsável por modelos como o bairro-cidade Nordelta, na região metropolitana de Buenos Aires, na Argentina.

Projetado para ser um núcleo urbano completo e, assim, evitar as habituais periferias, o exemplo argentino é o oposto de outro, também defendido pelo arquiteto. No norte da Itália, fica Cinque Terre, pequeno povoado que, depois de recuperado, atraiu milhares de turistas. Com eles, vieram a preservação ambiental, o reforço da identidade local e a diversidade econômica.

É com histórias distintas de sucesso que Pesci vai a Porto Alegre para o 2º Congresso Internacional de Arquitetura e Ambiente, que ocorre entre quinta e sexta-feira, na UniRitter. Autor de mais de 10 livros sobre questões ambientais, Pesci defende o reconhecimento dos ecossistemas naturais, além da identidade da região, para iniciar um projeto.

Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o arquiteto Sérgio Magalhães acredita que é preciso perceber a cidade como fator fundamental para a efetivação da sustentabilidade. Sobre o pontapé inicial, concorda com Pesci:

– O reconhecimento da pré-existência da região é uma das grandes referências da arquitetura contemporânea.

Lorena Babot, arquiteta especialista em Desenvolvimento Sustentável e responsável técnica da Fundação Cepa, reforça a ideia de primeiro avaliar a constituição do terreno para, só então, projetar.

– O Rio de Janeiro, por exemplo, tem uma ecoforma e uma socioforma maravilhosas. Para melhorar, é necessário que se inspire em si mesmo – garante o arquiteto argentino.

Na etapa da construção, os adeptos da Ambitetura acreditam que mudar os materiais e reduzir o consumo de energia de uma casa são insuficientes se a residência está mal localizada e promove a exclusão das pessoas que nela vivem, por exemplo. Edifícios desenhados para poupar energia seriam um começo, mas não o suficiente.

Assim como o varejo muda o ciclo de vida de seus produtos, a arquitetura reformula seu jeito de pensar e agir. Desenha com os elementos do ambiente e a destreza da sustentabilidade. Para completar o novo ciclo desejado pela ambitetura, Pesci aponta um caminho:

– Uma população consciente que exija habitar de uma forma mais responsável, tanto no que ser refere a transportes, áreas verdes, conservação do patrimônio ou consumo de energia.

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