05/05/2007

Amiga da mata

Fonte: Casa & Jardim

Integrada à Mata Atlântica e escalonada em terreno íngreme, esta casa de 190 m2 em Ibiúna, SP, preserva a vegetação ao redor. Empregadas na construção, telhas ecológicas e madeira de reflorestamento também revelam boas intenções para com o planeta

Repórter de imagem Mika Franco

Marcos Antonio

Zap o especialista em imóveis

Em escalas – Os três andares da construção ficam disfarçados no terreno íngreme. A boa quantidade de aberturas (janelas e portas sanfonadas) aumenta a ventilação e a claridade dentro da casa

O verde é paisagem e inspiração para este projeto sustentável, em Ibiúna, no interior de São Paulo. Com madeira reflorestada, telhas feitas de papel descartado, resina e betume e um ciclo permanente de água que engloba uso e filtragem, a casa integra os 10 mil alqueires do Condomínio Tribo. Assim como as outras onze moradias levantadas no conjunto residencial, a construção foi acomodada em um terreno íngreme, sem intervenções. A idéia é do arquiteto José Augusto Conceição, autor de todas elas. “Em áreas que conservam mata nativa, é responsabilidade do arquiteto ocupar sem destruir. Recuperamos áreas degradadas e enriquecemos o terreno com 12 mil espécies da Mata Atlântica, sobretudo palmitos-juçara”, diz José Augusto, que teve a colaboração da bióloga Cristina Simonetti no manejo das espécies.

Parte da construção foi implantada sobre pilares de eucalipto autoclavado, uma madeira reflorestada e tratada com inseticidas e fungicidas, que a protegem do apodrecimento. “Seu desempenho estrutural é melhor que o de algumas madeiras nobres, antigamente usadas para o mesmo fim”, afirma José Augusto. Formando as paredes externas na área em que a construção se projeta no chão, os lambris de pínus autoclavado foram a opção à alvenaria, pois são mais leves e resistentes a intempéries.

O respeito ao meio ambiente chega ao telhado. As telhas, de 2 x 0,95 m, feitas a partir da mistura de fibras vegetais (papéis descartados), resina e betume, são certificadas como ecológicas: não têm amianto e cerâmica em sua composição e, no processo de fabricação, não liberam gases que agridem a natureza. Outra vantagem do material é a leveza. Cada telha pesa apenas 6,4 kg, fator importante para construções suspensas.

A moradia do casal Ligia e Laurent tem 190 m2 de área interna, espalhados em três pavimentos. No piso inferior, estão os quartos das duas filhas e um banheiro, que serve como lavabo. No térreo, a cozinha é separada da sala de jantar apenas por um balcão de alvenaria, e não há paredes entre o jantar e o estar. Os dois ambientes estão integrados à varanda, com 50 m2. No andar superior, fica a suíte do casal e o futuro ateliê de Laurent, com muitas aberturas para a entrada de luz natural, sempre bem-vinda para esquentar o ambiente e, conseqüentemente, reduzir o uso de energia elétrica.

Toda a água que abastece a casa e o condomínio provém de duas nascentes que existem no local e da captação de água pluvial, feita por três calhas ao longo do terreno. “A água é mantida na mesma microbacia de onde foi retirada. Ela é captada na parte mais baixa e retorna, depois do uso, tratada, ao seu curso normal. Para isso, usamos um sistema de fossa com filtro anaeróbio e valas de infiltração, determinado pelo código sanitário”, diz José Augusto.

Mesmo sendo uma casa para passar os fins de semana, os proprietários, que atualmente moram em Ho Chi Minh, no Vietnã, têm boas lembranças do tempo em que a freqüentavam. “Para nós, que sempre moramos em cidades grandes e caóticas, como São Paulo, Seul, Xangai e agora Ho Chi Minh, estar a 50 minutos de São Paulo e ter a sensação de permanecer longe de tudo, rodeado por mata, sempre foi prazeroso.” Melhor ainda é saber que a natureza não sofreu qualquer impacto para que esse deleite fosse possível.

Marcos AntonioZap o especialista em imóveis

 

 

 

Apoio forte – Para sustentar a diferença de inclinação do terreno, parte da casa está suspensa sobre os pilares de eucalipto autoclavado. A solução permitiu o avanço do deque de garapeira. O telhado recebeu telhas verdes Onduline, que não agridem
o meio ambiente

 

 

Marcos AntonioZap o especialista em imóveis

 

 

Árvores preservadas Nem mesmo as árvores mais próximas da construção foram retiradas do lote, a exemplo do coqueiro nativo, à frente. A inclinação do terreno esconde parcialmente entrada principal da casa

 

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