30/10/2006

Amor igual ao do futebol, mas a camisa é da V. Mariana

Fonte: O Estado de S. Paulo

O comerciante Walter Taverna, de 71 anos, nasceu no Bexiga e mora há 52 anos na Vila Mariana. Simplesmente adora o lugar onde mora e está sempre envolvido com as questões da comunidade. “Acredito que as pessoas devem lutar pelos seus direitos e, principalmente, pelo seu bairro.”

Mais do que preservar o local onde mora, deve-se combinar história e memória. Pensando assim, Taverna idealizou um concurso em 1999, envolvendo estudantes e moradores, para escolher uma bandeira. Houve 194 concorrentes e uma comissão julgadora selecionou dez obras.

O estandarte campeão foi criado por Gabriela Mota Pinto Alves, que tinha na época 12 anos. “Os traços simples do desenho dela traduziram a vida na Vila Mariana. A bandeira traz as cores vermelha e amarela e um círculo no meio, com marcas registradas, como as casas baixas, árvores, a estação do Metrô e o Obelisco do Ibirapuera”, comenta Taverna. A bandeira foi hasteada pela primeira vez em 2000, mais precisamente no dia 25 de outubro, no Instituto Biológico – quando foi proclamada a República de Vila Mariana. “Um grupo de moradores resolveu criar a “república” com o objetivo de buscar melhorias para a região e ser mais atuante que uma simples sociedade de bairro. É uma proposta mais moderna de pessoas que se dedicam ao lugar onde vivem.”
Taverna considera importante que as pessoas tenham amor e dedicação pelos bairros. Se dependesse de sua vontade, todos os bairros teriam bandeiras e também se transformariam em “repúblicas”. “Quero levar essa idéia para outras regiões e conscientizar a população. Não podemos cobrar melhorias e nada fazer. As pessoas têm de se mexer e sair do marasmo. Precisam ser atuantes, respeitar e buscar mudanças.”

Paixão 
Ele observa ainda que o respeito à bandeira é como a paixão pelo símbolo do time de futebol preferido – é preciso “vestir a camisa”. “Cada um tem de fazer a sua parte. A bandeira é mais que um símbolo. É a prova de que os moradores procuram preservar a história local.”

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