06/05/2009

Analistas preveem queda no investimento

Fonte: O Estado de S. Paulo

Números apresentados pelo IBGE sobre indústria apontam queda do indicador do PIB no 1.º trimestre

Rio de Janeiro – A taxa de investimento do primeiro trimestre será bem menor que a de 2008, que foi de 19%, de acordo com economistas ouvidos pela Agência Estado. Eles se baseiam em dados referentes ao período, como a queda de 20,8% na produção de bens de capital (máquinas e equipamentos) e de 6,6% na importação desse tipo de produto, ambas em relação aos primeiros três meses do ano passado. Os bens de capital são responsáveis pela maior parte da Formação Bruta de Capital Fixo, que como proporção do PIB, resulta na taxa de investimento.

“A taxa do primeiro trimestre (a ser divulgada pelo IBGE em 9 de junho) vai cair muito, muito”, disse o economista Fernando Puga, um dos responsáveis pelas pesquisas de investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ele espera recuperação da taxa de investimento ao longo do ano para perto dos 19% de 2008.

Já o diretor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), João Sabóia, acha “difícil saber” se até dezembro a taxa de investimento vai voltar ao mesmo patamar do ano passado. “Acho que na média de 2009 a taxa de investimento também será menor que a média de 2008 porque até o terceiro trimestre do ano passado, os investimentos vinham crescendo muito”, declarou.

PREOCUPANTES – Para Sabóia, “as informações sobre bens de capital são muito preocupantes”.

Referia-se não só aos dados até março, mas também ao recuo de 5,7% das importações de bens de capital em abril, nas comparações com os mesmos períodos do ano passado.

Os dados da pesquisa de produção industrial de março relacionados à construção civil corroboram os sinais de que a taxa de investimento no primeiro trimestre será menor que a de 2008, segundo o coordenador de indústria do IBGE, Sílvio Sales. Os insumos para construção tiveram queda de 7,4% em março e de 10,6% no primeiro trimestre deste ano nas comparações com os mesmos períodos do ano passado.

O investimento, que liderou o crescimento do PIB por muito tempo antes do agravamento da crise, em setembro, parece ter caído no primeiro trimestre bem mais do que a média da economia.

É natural que isso ocorra diante das incertezas sobre a demanda e do aumento da capacidade ociosa das indústrias, de acordo com o sócio-diretor do Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), Roberto Iglesias. Por este mesmo motivo, Sales prevê que o setor de bens de capital, que demorou mais a sentir os efeitos da crise devido às encomendas anteriores, será o último a sair dela.

FRASE
João Sabóia
Diretor do Instituto de Economia da UFRJ
“Em 2009, a taxa de investimento será menor que a de 2008 pois até o 3º trim., os investimentos cresciam muito”.

(Colaborou Jacqueline Farid)

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