03/03/2010

Aninha Strumpf subverte peças de época em coleção especial pada a Micasa

Fonte: O Estado de S. Paulo

São Paulo – Os súditos de Luís XV, com certeza, iriam considerar uma heresia ver um móvel da sua época forrado com retalhos. Mas os tempos são outros e uma moça paulistana – de antenas apontadas para a arte, a moda e o design – encontrou um bom negócio ao unir esse estilo clássico francês com o patchwork. Ela criou uma coleção especial, à venda na Micasa, que mistura esses conceitos distintos. O nome dela é Aninha Strumpf, que fechou recentemente a loja Garimpo+Fuxique (G+F), especializada em decoração, moda e objetos com inspiração artsy, para se embrenhar em novas searas. “Sempre gostei de garimpar. Já encontrei boas peças em lixões. As reformei e as vendi. Muitas clientes da época da Garimpo traziam poltronas para eu customizar”, lembra ela.

Essa nova coleção, segundo a criadora, é uma evolução do trabalho desenvolvido na G+F. “São móveis únicos e muito trabalhados. Fico horas e horas em cima de cada um, misturando cores, estampas e estilos.” E por que Luís XV e não Sergio Rodrigues, por exemplo? “O patchwork faz um bom contraponto à estrutura Luís XV. E essa série, na madeira crua, sem pátina, fica mais atual. Quis brincar com a relação do antigo e do novo, recriando conceitos.”

O comprador da linha – além de ter conhecimento de decoração e não pestanejar com os preços dos produtos – com certeza tem de ser ousado. “É para pessoas que gostam de um mix de padronagens. Ou ainda para quem tem uma casa minimalista e quer dar um toque de cor. Porque, definitivamente, as peças não passam despercebidas.”

TRAMAS E FIOS – Olhando no retrovisor de uma história de sucesso, a vida dessa paulistana está intimamente atrelada aos tecidos. É dos pais a extinta Formatex, que revendia tecidos para grandes decoradores e arquitetos. E foi dessa aventura familiar – a de encontrar soluções para novos padrões e texturas dos materiais – que Aninha tomou gosto pela coisa. “Ah, trabalho com isso desde que nasci. Era a única dos meus irmãos que frequentava o escritório dos meus pais. A sala da minha mãe (a arquiteta Regina Strumpf) sempre foi abarrotada. A moda veio depois, quando eu tinha uns 10 anos, acho. Mais tarde, veio a vontade de unir esses dois universos.”

Foi com as sobras de tecidos que Aninha tomou coragem para se colocar no mercado de uma maneira autêntica e – por que não? – sustentável. “A Garimpo+Fuxique começou dentro da empresa dos meus pais. Sem eles eu não teria material para meu trabalho e não seria quem sou”, admite. “A ideia inicial era usar os retalhos inúteis e transformá-los em novos produtos”, lembra. Na verdade, o pai de Aninha perguntou se ela, tão interessada nos negócios do clã, não queria fazer um projeto diferenciado para ele: “O de dar um fim aos tecidos de uma maneira criativa”, brinca. Daí por diante, a designer caiu de cabeça na brincadeira de fazer itens exclusivos de moda e decoração com o descartável. A G+F começou na Formatex da Rua das Fiandeiras, depois acompanhou a família para a Oscar Freire e, mais tarde, para a loja da Bela Cintra.

E a empresária, com tino para a criação, é do tipo que agrega conteúdo. Desde que encerrou sua marca, apostou as fichas no blog que idealizou com algumas amigas, o Minas de Ouro – focado em lifestyle, mundo fashion, decoração, artes plásticas, gastronomia e outros mimos -, e nas pesquisas de tendências para uma agência. Além disso, ela desenvolve uma coleção de peças chamada Alice no País das Maravilhas em parceria com a ONG Orientavida, licenciada pela Disney, e é editora de estilo da revista Licia – da promoter Licia Fabio. Ah, junte a isso o fato de que, com a G+F, Aninha já arranjou trabalho para uns 50 criativos inquietos. “Precisamos ficar de olho nessa geração. É difícil apostar no novo antes de todo o mundo. Mas quando dá certo é prazeroso.”

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