30/10/2006

Anos de luta antes de ter as chaves

Fonte: O Estado de S. Paulo

Atenção de proprietários ao andamento das obras e mobilização evitaram maiores perdas em condomínio

Até a entrega das unidades do Edifício Villa Borghese, na Chácara Santo Antônio, em agosto de 2004, foram 11 anos de luta e a espera árduas. O prédio foi vendido na planta pela Encol em 1993 e a construção parou em 1995. Não fossem os proprietários atentos ao andamento da obra, talvez a perda tivesse sido irreparável.

Logo que os donos perceberam que a construção estava lenta, começaram a se organizar. Uma comissão descobriu que o terreno estava hipotecado. Mas antes que fosse decretada a falência da construtora, conseguiram que outro imóvel da Encol fosse oferecido como garantia na hipoteca. “Fomos um dos primeiros a entrar na Justiça; fomos uma espécie de cobaia”, conta o proprietário e líder da comissão José Geraldo Machado, explicando que as ações tomadas no caso serviram de referência depois para as demais vítimas da empresa.

Continuidade

Em 2000, após longos anos de luta jurídica, o grupo pôde contratar uma outra construtora para terminar a obra. Ainda assim, passaram por sérias dificuldades para resgatar os projetos originais. “Muitos não acreditavam que íamos conseguir.”

A construtora escolhida foi a Tarjab, que acabou conhecida no mercado por tocar empreendimentos deixados pela Encol. A falência da empresa representou perda de confiança para todo o setor. “A Encol tinha em torno de 15% de participação no Brasil e deu um choque no mercado muito grande”, afirma José Tarifa, presidente da construtora Tarjab. “Mas imaginei que, se cada construtora adotasse um prédio, isso minizaria os efeitos e decidi tentar fazer a minha parte, mesmo me sujeitando a um lucro baixo.”

A visão de Tarifa fez com que a construtora ganhasse espaço e credibilidade no mercado. “No fim, isso ajudou a alavancar a gente. Tenho taxa de retorno menor, mas ganho cliente.” Ao todo, a empresa entregou seis empreendimentos deixados pela Encol. E se especializou nesse tipo de caso, a ponto de se associar a um escritório de advocacia em Goiânia, onde ficava a sede da Encol, para dar agilidade a processos jurídicos de liberação de empreendimentos da massa falida. Este mês, a construtora está lançando o Mont Serrat, no bairro da Saúde, que era da Encol. Recentemente, o empresário também foi consultado por comissão de cooperados da Bancoop.

A construtora REM assumiu em janeiro um prédio da Encol, na Vila Mariana. A construção que teve o projeto da área de lazer ampliada e aumento do número de garagens deve ser entregue em agosto de 2008. “A maior dificuldade é chegar a um consenso com os moradores”, diz Renato Mauro, diretor da empresa. 

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