14/07/2009

Apartamentos de cobertura são cada vez mais raros em prédios de classe média

Fonte: O Globo

Construtoras investem em apartamentos de cobertura nos edifícios de luxo e transformam o terraço dos prédios de classe média em áreas de lazer

Cobertura é um bem de consumo é exclusivo para poucos e cada vez se torna mais raro (Foto: Divulgação)
Cobertura é um bem de consumo cada vez mais exclusivo (Foto: Divulgação)

Rio de Janeiro – São muitos os que sonham em morar numa cobertura. Daquelas com vista para a paisagem do Rio e um terraço que permita uma série de atividades impensáveis no confinamento de um apartamento padrão. Mas este bem de consumo é exclusivo para poucos e cada vez se torna mais raro na cidade. É que as coberturas estão sendo construídas quase que estritamente em prédios de luxo.

“Quanto mais sofisticado for o empreendimento, a cobertura tem mais sentido de ser construída. É difícil vender área livre. Em geral, o público de maior poder aquisitivo tem mais necessidade desses espaços”, diz Rodrigo Conde Caldas, vice-presidente da Associação de Dirigentes de Empresa do Mercado Imobiliário (Ademi).

Nas classes menos privilegiadas é mais difícil encontrar quem queira pagar por uma área livre, sem função específica. Nos atuais empreendimentos voltados para a classe média, a tendência é oferecer uma estrutura de lazer na coberta para todo o condomínio do que favorecer apenas um ou dois consumidores. Principalmente em prédios que não têm muito terreno.

“O mercado tem mais dificuldades para vender cobertura para a classe média, principalmente em empreendimentos com áreas de lazer mais modestas. É preferível utilizar o lazer compartilhado do que investir em cobertura para o uso individual. É mais vantajoso investir na construção de espaços comuns e assim dar mais liquidez a todos os apartamentos”, explica Rodrigo.

As coberturas têm mais valor quando se encontram em empreendimentos na Zona Sul, Barra na Tijuca e em áreas de maior destaque da Freguesia, Jacarepaguá e Tijuca. E mesmo assim, a facilidade de venda não é igual em todos os lugares, como mostra o vice-presidente da Ademi.

“A partir da Avenida das Américas para dentro começa a haver um pouco mais de resistência às coberturas. Na Península e na Laguna, tem-se uma liquidez melhor, reforçada com a vista para o mar”, esclarece Rodrigo.
Segundo o vice-presidente da Ademi, no Rio é possível encontrar uma cobertura de R$ 15 milhões na Av. Vieira Souto, ou de R$ 130 mil, com dois quartos, em Jacarepaguá. A diferença de preço de metro quadrado é de mais de 500% de acordo com a localização. O diretor de incorporação da RJZ/Cyrela Alexandre Calazans faz coro com o colega.

“Na Delfim Moreira, o preço do metro quadrado chega a R$ 25 mil. A Barra tem cobertura de 800 m² com o metro quadrado entre R$ 16 mil e R$ 17 mil. Mas encontra-se também coberturas de 80m² com menos de R$ 3 mil o metro quadrado”, afirma Alexandre Calazans.

O preço de uma cobertura, todo mundo sabe que é mais caro do que um apartamento padrão. O direito ao uso de laje superior já equivale um acréscimo de pelo menos 10% a mais do valor do preço médio de um apartamento no edifício. A parte descoberta, com piscina e deck, custa 50% a mais. Quando a cobertura é entregue sem nada, mas com área física com possibilidade de se fazer uma churrasqueira, uma bancada, o acréscimo é de aproximadamente 30%.

“No apartamento de cobertura pode-se considerar o valor de metro quadrado da média dos apartamentos acrescido de 10%. Agregado a este valor tem-se ainda a área livre do terraço cujo metro quadrado equivale a cerca de 50% do valor do metro quadrado de um apartamento situado no andar médio. Para exemplificar, se num empreendimento, um apartamento de 200 m² tem como preço médio do metro quadrado R$ 5 mil, na cobertura seria R$ 5500. Tem-se ainda que considerar o acréscimo do terraço, cujo valor equivaleria ao produto da área multiplicada por R$ 2500,00”, explica Rodrigo.

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