12/11/2006

Apenas 8% dos lares têm seguro

Fonte: O Estado de S. Paulo

Especialista diz que principal alvo dos bandidos são casas de veraneio

Filipe Araújo/AEZap o especialista em imóveisExperiência – O designer Marcus Lara teve sua casa assaltada e hoje, mesmo morando em prédio, mantém o seguro residencial

Cercar a residência com portões e muros altos, grades, arame farpado, são medidas básicas de segurança nos dias de hoje. Alarmes e cães ferozes também fazem sucesso quando o assunto é a guarda do patrimônio. Mas pouca gente contrata um seguro residencial.

Segundo o superintendente de produtos do Unibanco, Emerson Bernardes, apenas 8% dos domicílios no País possuem a garantia. “É uma questão cultural. Ninguém nem tira o carro da concessionária sem seguro, mas não se têm o mesmo cuidado com a residência, que é um patrimônio muito maior”, diz.

Um contrato básico de seguro residencial pode custar a partir de R$ 30 por ano e deve cobrir pelo menos três incidentes: incêndios, queda de raios e explosões de qualquer natureza. Os bancos e as seguradoras oferecem, entretanto, uma extensa variedade de garantias opcionais como roubo e furto, danos elétricos e vendavais, além de um pacote de serviços de conveniência que inclui até conserto de eletrodomésticos e chaveiro (ver quadro na página 3).

“Esse tipo de plano é mais caro, mas a relação custo-benefício ainda é excelente e tem atraído muitos clientes. As pessoas nos procuram para contratar os serviços de conveniência e acabam fazendo seguro contra roubo também, ainda que o mais lógico devesse ser o contrário”, explica um dos diretores da Porto Seguro, Adilson Pereira.

Além do tipo de contrato, o valor também pode variar de acordo com o tipo do imóvel (casa na cidade ou de veraneio, apartamento, condomínio fechado) e sua localização. “Mas quem define a quantia a ser segurada é mesmo o cliente.”

Risco

Pereira diz que uma das ocorrências mais comuns atualmente é a de danos elétricos. “Quase todos os aparelhos dentro de uma casa, hoje, são eletrônicos e muito sensíveis. Com o seguro, o cliente garante o reparo, por exemplo, de uma televisão ou de um computador queimado ou até mesmo a troca da fiação interna da residência.”

Bernardes, do Unibanco, concorda e diz que esse tipo de sinistro já é maior até que o de roubo. “As redes elétricas geralmente são antigas e ficam sobrecarregadas com o acúmulo de equipamentos. Esse problema é ainda maior em cidades do interior”. E conta uma curiosidade: na região Sul do Brasil, o seguro residencial é mais acionado devido aos danos causado pelos vendavais, que destróem telhados, quebram vidros e podem até mesmo derrubar edificações mais frágeis.

Assaltos

As chances de sofrer um assalto são menores para quem mora em apartamento, mas elas existem e têm crescido consideravelmente. Os especialistas afirmam que muitos clientes que moram em prédios e possuem o seguro já tiveram experiências traumatizantes no passado, morando em casa.

É o caso do designer Marcus Lara, que teve sua residência arrombada em 2001, quando morava em Santo André. “Fui roubado numa quinta-feira, durante a tarde, enquanto estava no trabalho. Cheguei em casa e ela estava praticamente vazia. Até minhas roupas e alguns objetos pessoais foram levados.”

A família tinha seguro residencial do Itaú e em cerca de um mês já havia reposto a maioria das perdas com o ressarcimento recebido pelo banco. Lara chegou a instalar um alarme na casa após a incidente e decidiu mudar-se para um edifício na zona leste de São Paulo pouco tempo depois.

“Morar em prédio dá uma sensação de proteção muito maior, mas mesmo assim não deixei de ter seguro”, diz Lara.

Adilson Pereira, da Porto Seguro, diz que uma das armas contra os assaltantes é a solidariedade. “Os vizinhos devem ficar atentos e, a qualquer movimentação estranha, avisar a polícia. Precauções básicas antes de viajar como não deixar luz acesa o tempo todo e cancelar temporariamente a entrega de jornais também ajudam a evitar esse tipo de crime. Sempre que for se ausentar, o morador deve ser discreto”.

O diretoe revela que a maior concentração de sinistros como este na capital paulista é na zona norte, enquanto que a menor está na zona oeste. Já no interior, ele destaca Campinas pelo alto número de roubos residenciais e Registro como uma das cidades mais seguras do Estado.

Fogo

Em pelo menos um quesito, os apartamentos são mais vulneráveis do que as casas: quando se trata de incêndio.

De acordo com Pereira, eles ocorrem com mais freqüência nos andares mais altos do edifício e quase sempre devido ao uso inadequado de velas. “O vento é muito forte nos apartamentos mais perto do topo. Um descuido dessa natureza pode causar conseqüências graves.

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