08/01/2009

Aposta no móvel do bem

Fonte: O Estado de S. Paulo

Empresas de Santa Catarina, defensoras do conceito do biomóvel, investem alto no mercado nacional

DivulgaçãoCozinha feita de painéis de pinus com acabamento natural e detalhes em laca

São Paulo – Motor das inovações que fazem girar as engrenagens do sistema design, a consciência ambiental é hoje assunto de primeira ordem entre designers e fabricantes. Uma realidade ainda restrita aos círculos do alto design, mas que promete, em curto espaço de tempo, atingir também a oferta de produtos de largo consumo: tanto quanto os objetos produzidos em séries exclusivas, móveis fabricados em larga escala se pretendem agora igualmente sustentáveis.

“É um processo sem volta”, diz Ângelo Luiz Duvoisin, gerente da Artefama, indústria moveleira de São Bento do Sul (SC), que, após décadas de produção direcionada para a exportação, se prepara para a primeira investida de peso no mercado nacional – e, na linha de frente, a questão da sustentabilidade. “Tal como aconteceu na Europa, nossas crianças começam a ser educadas para compreender a necessidade de preservação ambiental. É questão de tempo essa demanda se transformar em exigência nas lojas”, argumenta Duvoisin, entusiasta defensor do conceito de biomóvel – projeto em implantação naquela região do norte catarinense, formalmente expressa por meio de um selo de qualidade.

Para receber a distinção, cada indústria teve de se adaptar a uma série de procedimentos que abrangem todas as fases do processo produtivo, da garantia de certificação da madeira, passando pelos produtos empregados na produção (colas e tintas, por exemplo, podem conter componentes nocivos à saúde e ao meio ambiente e devem portanto ser banidas) até, finalmente, a forma mais adequada de descarte do móvel.

“A possibilidade de prolongar a vida do produto por meio da restauração e da substituição de componentes, a facilidade de desmontagem e o potencial de reciclagem das partes são fatores que também pesam na avaliação”, adianta Ari Bruno Lorandi, o mentor do biomóvel, conceito que hoje congrega 27 empresas. “Para se candidatar ao direito de uso, a empresa deve se submeter a uma avaliação de conformidade, como em qualquer auditoria.”

UM DESAFIO – Entre as madeiras mais empregadas, em sua terceira geração, o pinus – mais especificamente na variedade “oslo” – ocupa o centro das atenções dos empresários locais. O eucalipto vem logo a seguir. E mesmo o bambu, planta de alta resistência antes restrita ao acabamento, já começa a integrar a estrutura de sustentação de alguns móveis.

“O pinus já passou por três décadas de melhoramentos genéticos. Por isso, o que se vê hoje é a matéria-prima sólida, que em nada remete à dos móveis produzidos nos anos 70, em geral, peças frágeis e cheias de nós aparentes”, avalia Ivo Sândi Grossl, da Grossl Móveis, outra empresa do programa.

No que toca ao visual, o aprimoramento é evidente: do acabamento natural, bastante utilizado nos móveis escandinavos, ao ébano profundo, típico das madeiras tropicais, existem opções para todos os gostos. O mesmo acontece com a regularidade das superfícies e a precisão dos encaixes. Quanto ao design, porém, ainda é longo o caminho a ser percorrido.

Ao menos, é o que atesta o evento de lançamento da primeira safra de biomóveis, que deve chegar às lojas no primeiro semestre do próximo ano. “Quando se investe em qualidade total, da madeira à fabricação, o design nunca deve ficar em segundo plano”, reconhece Ângelo Luiz, da Artefama, que, providencialmente, acaba de contratar o designer Marcelo Rosenbaum para desenhar uma linha exclusiva para a empresa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.