07/11/2008

Apreço por design e comida

Fonte: O Estado de S. Paulo

A cozinha de Luiz Otávio Debeus, dono do antiquário Stile d.o.c., é o reino de peças garimpadas e pratos elaborados

São Paulo – Quem nasce em São José do Rio Preto é o quê? Não é só riopretense, não. Esse algo a mais tem a ver com família, fazenda, cozinha. Luiz Otávio Debeus, nascido e criado naquela cidade paulista, diz que o retrato mais fiel de sua vida é o de passar horas às voltas com o fogão. E não se trata de um hobby eventual – se pudesse, Luiz Otávio faria almoços e jantares toda semana.

Na fazenda em que morava junto com mãe, avó e tias, todos viviam para as reuniões familiares. Luiz Otávio, descendente de alemães, foi quem levou a culinária a sério. “Invento molhos, me atrevo até com comida árabe e adoro fazer feijoada”, diz. Nada de errado, portanto, em sua dupla (ou tripla) jornada de trabalho. Luiz Otávio, dono da Stile d.o.c., loja de antiguidades no bairro de Pinheiros, é tão apaixonado por comida quanto por design. Fala de ambas com o mesmo envolvimento.

Luiz Otávio já estava em São Paulo, estudando na Faculdade de Belas-Artes. Trabalhou quase dois anos como arquiteto e decorador no escritório de Francisco Cálio e há quatro resolveu ganhar a vida em outras atividades. “Sou bom para escolher, garimpar objetos e móveis. Prefiro isso à burocracia de tocar uma loja”, confessa ele. A Stile d.o.c. revende peças do século 20, e hora ou outra serve de vitrine para as incursões de Luiz no desenho – ali estiveram à venda conjuntos de porcelana de sua autoria, material que encanta o antiquário de 30 anos. E a decoração? “Usei a criatividade nesses últimos anos para reformar minha casa”, conta.

O lar de Luiz Otávio, que foi usado como escritório por décadas, fica num terreno bastante estreito. Logo à entrada sucedem-se três salas, repletas de mobiliário art déco; depois surge a cozinha, um nível acima do resto da casa, banhada de luz natural e revestida do estilo Provence, do teto ao piso.

“Quis um clima de sul da França, por isso comecei a obra trocando o antigo piso por cerâmica (da Lepri)”, conta ele. A indicação foi dada pelo paisagista Alex Hanazaki, que transformou a ex-edícula em jardim de romãs, jasmim-estrela, jabuticabeira e lavanda, além de espaço para os quatro cachorros (Luiz faz questão de apresentá-los: Fred, Max, Jéssica e Bianca). Ele conta que passou um mês tirando entulho do quintal, “por causa de um forno de pizza de alvenaria, que nunca deve ter sido usado”. O drama virou comédia. E hoje, em uma mesa lateral, está o forno elétrico de pizza Gennaro, da Imeltron (no site Submarino, por R$ 569). “Como passei muito tempo tentando me livrar do forno, uma amiga disse que eu ia sentir saudade. E me deu outro de presente”, diverte-se Luiz.

O teto da cozinha é enganador: a aparência lembra madeira cortada em ripas e pintada de branco, mas, na verdade, o antiquário pediu que o gesseiro criasse reentrâncias, como se fossem relevos (R$ 65 o m² do serviço, incluindo material e mão-de-obra, na Muni Gesso). A pintura especial com gel envelhecedor tinge as paredes de um azul manchado, de aspecto desgastado (da Suvinil, em média R$ 45 o galão de 3,2l, no Atacadão Paulista das Tintas).

Luiz Otávio comprou há anos o guarda-roupa de uma vizinha. Imaginava um jeito de aproveitar a peça em sua nova casa – até 2007 ele morou em apartamento. Hoje, pintado de branco e com prateleiras, serve de armário de cozinha e ninguém suspeita que tenha sido outra coisa. O contraste fica por conta do granito preto das bancadas (modelo São Gabriel, R$ 380 o m², na Marmoraria Paulista).

Outros achados valeram a procura em depósitos e família-vende-tudo; cadeiras de ferro e assento de madeira, francesas, são do seu antiquário. O baleiro de mais de 50 anos abriga temperos. E a um armário de farmacêutico foi dado o uso de cristaleira – é a estrela da cozinha, exibindo louças e peças de estima, como o pote de sal “azul-provence” que ganhou da avó.

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