02/08/2013

Aprovação de projetos nas prefeituras poderia ser mais ágil, diz diretor da Abrainc

Renato Ventura aponta que nova associação criada para representar incorporadoras vai solicitar ao governo melhorias nos processos de produção

Fonte: ZAP Imóveis

O setor da construção civil está com uma representatividade maior agora perante todas as esferas do governo. Isso porque foi criada recentemente a Abrainc (Associação Brasileira das Incorporadoras), formada por 19 empresas, em sua grande maioria de capital aberto.

Renato Ventura, diretor da Abrainc

Com um foco maior em questões de âmbito nacional, a nova entidade terá como uma das suas principais bandeiras o objetivo de tornar mais ágeis as aquisições do terreno, as aprovações dos projetos pelas prefeituras, o financiamento aos compradores e a entrega dos imóveis.

“Precisamos de mais objetividade nos processos de licenciamento e aprovações. Também defendemos a modernização dos sistemas registrais que impactem de forma relevante o ciclo da incorporação. A aprovação de projetos nas prefeituras poderia ser mais ágil com a integração dos diversos órgãos envolvidos em uma aprovação”, apontou Renato Ventura, diretor da Abrainc.

Nesta entrevista exclusiva ao ZAP Imóveis, o executivo que atua também como consultor imobiliário ainda falou sobre as expectativas para o mercado brasileiro, mostrou como promover um crescimento sustentável no país e o que seria preciso para que os imóveis fiquem mais baratos para o consumidor final. Confira:

INFOZAP – Por favor, nos descreva como será desenvolvido o trabalho da Abrainc? O que vai diferenciar de entidades como o Secovi?

RENATO VENTURA – A Abrainc foi formada para ampliar a discussão de propostas para o aprimoramento do processo de incorporação e produção imobiliária no Brasil. Por meio de seus comitês e da elaboração de estudos específicos, a entidade pretende apresentar propostas que contribuam para o desenvolvimento do país e de seus programas habitacionais, que estimulem a produtividade e ofereçam incentivos à inovação.

A entidade compartilha da visão de suas associadas em investir em boas práticas e na sustentabilidade e busca oportunidades para garantir um crescimento sustentável a todo o setor. O Secovi é um importante parceiro da Abrainc, assim como outras associações do setor. A atuação dos Secovis e Ademis é regional. A Abrainc estará focada em questões nacionais específicas das Incorporadoras. Nossa relação é de parceria, complementando seus estudos e diagnósticos, especialmente em nível nacional.

Quais os principais objetivos da associação neste início da sua gestão? Qual ou quais serão as principais bandeiras levantadas pela Abrainc?

Os principais objetivos da associação dizem respeito às melhorias nos processos de produção de imóveis e sua oferta no país. Assim, daremos foco aos incentivos à inovação e industrialização do setor e à desburocratização, aperfeiçoando a produção e reduzindo seu ciclo, permitindo a maior oferta de imóveis.

Outro ponto de destaque é a tributação. A Abrainc já está discutindo a carga tributária do setor e irá contribuir na busca por alternativas que ampliem as racionalizações necessárias. Diminuir o tempo do que chamamos de “ciclo de negócio da incorporação imobiliária”, ou seja, tornar mais ágeis a aquisição do terreno, a aprovação dos projetos pelas prefeituras, o financiamento aos compradores e a entrega dos imóveis estão na pauta da entidade.

Para isso, a Abrainc produzirá estudos e análises e discutirá seus resultados com governos, entidades, instituições financeiras e demais participantes da cadeia. Dessa forma, empresas, compradores e a sociedade, em geral, serão beneficiados, com a maior oferta de imóveis e agilidade na hora da compra.

De modo geral, a entidade pretende se aprofundar em discussões sobre a incorporação imobiliária, seu ciclo e suas interfaces, refletidas em questões como o crescimento urbano, as alternativas de funding de longo prazo, a produtividade e a mão de obra e o desenvolvimento com sustentabilidade.

Quais os principais entraves do setor a serem debatidos com os governos nacionais e/ou estaduais?

Precisamos de mais objetividade nos processos de licenciamento e aprovações. Também defendemos a modernização dos sistemas registrais que impactem de forma relevante o ciclo da incorporação. A aprovação de projetos nas prefeituras poderia ser mais ágil com a integração dos diversos órgãos envolvidos em uma aprovação. Exemplo disso são iniciativas de algumas prefeituras, que criaram uma mesa única de aprovações, com todos os órgãos envolvidos e com prazos definidos.

Como promover um desenvolvimento sustentável do país?

Buscando cada vez mais condições de se viabilizarem projetos que produzam moradias adequadas, boas condições de vida, contribuam para o uso da infraestrutura disponível e possam se integrar ao planejamento urbano e às questões de mobilidade, sempre que possível.

A inovação no modelo de construção também traz novas tecnologias que permitem minimizar o impacto das obras. Dentre as práticas aplicadas pelo setor há a busca de redução na geração de resíduos nos canteiros de obra e a reciclagem dos resíduos que são gerados.

Outro ponto importante vem das iniciativas de entidades nacionais e internacionais que buscam a qualificação do setor por meio de certificações, que geram um diferencial de boas práticas.

O governo federal já sinalizou com algumas pequenas reduções de impostos para o setor da construção civil (como a desoneração sobre a folha de pagamento). Mas, o que seria preciso de forma efetiva, para que os imóveis fiquem mais baratos para o consumidor final?

Temos que continuar avançando nos esforços de desoneração da folha, nos incentivos à inovação e industrialização do setor, na desburocratização melhorando condições de produção e reduzindo seu ciclo, nos processos de financiamento. Estas medidas contribuirão para a maior oferta de imóveis, ampliando as condições de aquisição dos imóveis pelos compradores.

Qual sua expectativa para o mercado da construção civil nos próximos anos no Brasil?

O mercado imobiliário cresce em ciclos. O ano de 2012 foi de investimentos em gestão, um ano de arrumação da casa para possibilitar um novo ciclo de crescimento. Em 2013, visualizamos um crescimento com equilíbrio no Brasil. Os preços dos imóveis recentemente têm sido corrigidos em linha com a inflação. Em alguns casos, onde a oferta é muito pequena, os preços podem apresentar crescimento real.

Nossas perspectivas para o setor são bastante favoráveis. Para isso, contribuem dados objetivos como mobilidade social e bônus demográfico gerando uma demanda bastante consistente nos próximos anos.

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