04/05/2007

Arquiteta dá dicas de materiais ecológicos

Fonte: O Estado de S. Paulo

Vários componentes da construção podem atender à sustentabilidade

Ed Viggiani/AEZap o especialista em imóveisEcologicamente correto – Brasil possui recursos e materiais que agridem menos o meio ambiente

O Brasil ainda está um tanto distante do nível de adoção de materiais sustentáveis para a construção civil, ao contrário dos EUA e vários países europeus.

Entretanto, como diz a arquiteta Rosa Pezzini, da WTorre Engenharia, existem recursos e materiais nacionais de vários tipos que já podem, por si só, dotar um edifício, comercial ou residencial, de elementos que respeitem o meio ambiente.

O aumento da consciência desse conceito de sustentabilidade no Brasil, diz Rosa, depende muito dos construtores, cujo papel é “exercer sua atividade sem provocar desperdício”, e do consumidor, “que precisa entender que a sustentabilidade tem um valor que não é medido pelo preço do imóvel, mas sim algo que é agregado ao edifício”.

Rosa explica que um dos recursos básicos para conseguir edifícios que cumpram normas de sustentabilidade é a reciclagem. “O que dispusemos não quer dizer que seja inútil”, ressalta, referindo-se às várias oportunidades de reciclar materiais ou resíduos. “Se tivermos indústrias produzindo materiais que já são reciclados, será um passo enorme”. Rosa enfatiza que a evolução tecnológica não é “descartar o que já existe”.

O que pode ser feito 

A arquiteta tem algumas dicas para repassar a construtores e consumidores de edifícios ou casas residenciais ou comerciais, que se referem a materiais que respeitam o conceito de sustentabilidade na construção. Uma das sugestões de Rosa é o chamado CP2, “concreto usinado”, em cuja composição existem escórias de usinas siderúrgicas. “É material próprio para estruturas mais leves como muros, fundações, contrapisos, entre outros.”

Na área de frente ao edifício, externamente, é possível conseguir uma calçada com piso permeável de material reciclado – reutilização de material de demolição que é moído e pode compor as calçadas e até tijolos, segundo Rosa.

Outra possibilidade para pisos são vidros reciclados, que se forem quebrados, podem resultar em material de revestimento. Aliás, falando em pisos, Rosa cita uma solução adotada em larga escala nos EUA: borracha de pneu picada com que se faz massa para formar pisos de jardins, com possibilidade de colorir em qualquer tom. Em divisórias internas de ambientes, ela propõe painéis feitos de garrafas PET recicladas.

Madeira 

No mercado brasileiro, com relação a madeiras, há, por exemplo, diz Rosa, compensados feitos de resíduos de madeireiras. Outra sugestão é construir estruturas de casas com mourões – troncos grossos de eucalipto.

Mais dicas da arquiteta: tintas à base de água e não à base de petróleo, e iluminação natural o mais possível dentro da residência. “É muito importante ressaltar que tudo vai depender do projeto arquitetônico e de sua condição de reunir esses recursos sustentáveis”, salienta.

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