03/08/2009

Arquitetos falam sobre a arquitetura marcante do Jockey Club do Rio

Jockey Club Brasileiro é um marco visual significativo no espaço da cidade, mas só reconhecido no final do século passado

Rio de Janeiro – O Jockey Club, na Gávea, cede seu espaço, pela segunda vez, para mais uma edição do Casa Cor Rio. Neste ano, o evento, que terá início em 1 de setembro, vai apresentar um condomínio residencial na Tribuna Popular. Além dos projetos da Casa Cor, esta é uma oportunidade de visitar o Hipódromo da Gávea, cuja implantação e arquitetura são marcos na paisagem da cidade. Além disso, o Jockey faz parte da história dos esportes no espaço carioca.

As corridas de cavalo começaram a tomar espaço no Rio de Janeiro, em 1847, nas cercanias da cidade. Já ocuparam o local onde hoje se encontra o Maracanã, até que, na década de 1920, se instalou com um aterro sobre a área encharcada nas margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. Glamour e emoção sempre fizeram parte da história do Jockey Club Brasileiro, na Gávea, em que presidentes compareciam em suas tribunas, mulheres desfilavam com chapéus inusitados e onde o povo também apostava a sorte na vitória de um cavalo. No final do séc. XIX e início do XX, os esportes começavam a fazer carreira na história do Rio. É o que conta o arquiteto e urbanista Antônio Angenor Barbosa, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“A corrida de cavalos e o remo eram as práticas esportivas mais importantes no final do século XIX e início do XX, associadas a uma elitização do esporte. Os clubes nascem como regatas, clube de futebol e regatas. As pessoas iam a esses eventos para se mostrarem socialmente. Até hoje, o Grande Prêmio Brasil é um evento amplamente noticiado e em que as mulheres procuram exibir sua elegância com novos chapéus e vestidos.”

Com uma arquitetura eclética, projeto dos arquitetos Francisco Couchet e Archimedes Memória, o Jockey Club Brasileiro é um marco visual significativo no espaço da cidade, mas só reconhecido no final do século passado. 
 
“A arquitetura do Jockey é de um ecletismo tardio, porque é uma coleção de estilos que tem presença marcante no final do século XIX e inicio do XX. O Jockey tem colunas jônicas, utilizadas nos templos gregos da antiguidade, e também abóboda de vidro que lembra os palácios parisienses. O ecletismo não é representativo de uma arquitetura nacional. O Jóckey, portanto, custou a ser reconhecido como patrimônio. Foi tombado apenas em 1996”, diz o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Carlos Fernando de Andrade.

A ousadia das corridas pode também ser encontrada na arquitetura, que mesmo sendo eclética, com sua agregação de estilos, arriscou ao avançar em novas propostas estruturais, com projeto de Archimedes Memória, um dos mais importantes arquitetos brasileiros do período.

“Archimedes Memória é arquiteto de outras importantes edificações para a cidade como o Museu Nacional de Belas Artes e a sede do Botafogo. Seu projeto de marquise para a arquibancada do hipódromo da Gávea representou um avanço para a arquitetura brasileira. Era considerada uma das maiores da América Latina nos anos 20”, explica Antônio Agenor Barbosa.

Como os demais equipamentos públicos de lazer, do final do século XIX e início do XX, o Jockey Club apresentava o espaço reservado ao público dividido em setores destinados a diferentes classes sociais, reforçando o papel de cada um na sociedade.

“O projeto previa quatro tribunas: social, de honra, popular e dos profissionais. Uma separação por setores e de grupos, reforçando o papel social naquele ambiente com sua galeria, balcão simples e balcão nobre. Esta setorização era comum, inclusive nos cinemas, onde pessoas tinham cadeiras cativas. Atualmente, isso não tem tanto valor, numa cidade como a do Rio de Janeiro. A arquitetura, dos anos de 1910 e 1920, refletia os costumes. A sociedade brasileira mudou muito. A mulher, atualmente, tem um papel ativo. As famílias patriarcais ruíram. O Brasil hoje é um país urbano. As oligarquias estão ruindo. Qualquer um pode freqüentar essas tribunas”, ressalta Agenor.

Quer saber mais? Siga o ZAP no Twitter

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.