26/02/2010

As mudanças necessárias para tornar edifícios e imóveis acessíveis a todos

Fonte: O Globo

Rio de Janeiro – As cidades e edificações deveriam ser projetadas para dar acessibilidade a todos. Mas, na prática, nem sempre isso acontece. Ainda hoje, há calçadas com larguras inferiores às solicitadas pelas regras da Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT) e prédios sem os equipamentos necessários para que pessoas com deficiência motora ou visual tenham acesso a eles. Algumas adaptações simples podem, no entanto, tornar o trânsito pelos ambientes mais fáceis, dizem especialistas.

“A maioria das novas edificações prevê condições de acessibilidade, incluindo banheiros adaptados nas partes comuns e elevadores com botões em braille, sendo que alguns têm aviso sonoro. O maior problema está nos prédios antigos. Alguns recorrem a uma reforma estrutural. Outros, fazem pequenas obras que partem da ação de algum condômino que dependa da acessibilidade. Ainda é uma questão de conscientização”, explica a arquiteta especialista em acessibilidade Verônica Camisão, que é consultora do Centro de Vida Independente do Rio (CVI).

Entre as principais dificuldades encontradas pelas pessoas com alguma restrição física, seja permanente ou temporária, estão as barreiras arquitetônicas: escadas, pisos irregulares, obstáculos nas calçadas e ausência de rampas, entre outros.

“Para as pessoas cegas, é indicada a colocação de um piso especial, com textura diferente, que funciona como um alerta para a presença de obstáculos ou que forma um caminho até o elevador ou a escada. Corrimãos são imprescindíveis em escadas e rampas. Muitas vezes, somente quando as pessoas envelhecem é que se dão conta da importância da acessibilidade, porque esses obstáculos passam a criar dificuldades também para elas”, observa Verônica.

A cadeira de rodas é a referência para a largura mínima de portas e circulações. Tomando isto por base, uma calçada, por exemplo, deve ter no mínimo 1,20 metro de largura. Os vãos das portas, para serem acessíveis a um cadeirante, devem ter largura de 80 centímetros.

“Na maioria dos edifícios, há degraus no acesso à portaria. Quando a escada não é grande, às vezes é possível a colocação de uma rampa com soluções simples. Mas cada caso é um caso. E é sempre mais fácil e menos oneroso construir de forma acessível do que se adaptar posteriormente”, acrescenta a arquiteta, lembrando que, quando não é possível fazer a adaptação, uma outra opção é a instalação de um equipamento eletromecânico, que corre verticalmente ou ao longo da escada, como se fosse um minielevador.

Atualmente, os novos elevadores são obrigados a seguir as normas técnicas, que exigem espaço suficiente para a entrada de uma cadeira de rodas e são de uso mais fácil por pessoas com deficiência visual desacompanhadas.

“Os botões com leitura em braile e aviso sonoro informando em que andar o elevador está dão mais independência ao deficiente visual”, lembra Leonardo Schneider, vice-presidente de Condomínios do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi Rio).
Acessibilidade dentro das residências.

Os cuidados com acessibilidade dentro das residências também chamam a atenção de especialistas. Um dado relevante é a necessidade de adaptação para a população idosa, posto que 75% dos acidentes entre as pessoas que se encontram nesta fase da vida se dá em ambientes domésticos.

“As unidades autônomas não têm a obrigatoriedade de serem acessíveis, sendo de seu proprietário a decisão de adequá-la ou não. Mas é preciso lembrar que na velhice é comum ter dificuldades de mobilidade. As adequações necessárias dentro de uma residência, se não forem pensadas com antecedência, podem ser complicadas e caras. E é preciso contratar profissionais especializados e conhecedores das normas técnicas para uma correta adequação da moradia”, explica a presidente do Conselho Nacional do Deficiente Físico (Conade), Denise Granja.

A arquiteta e urbanista Monica Fiúza faz coro com a colega e alerta para o tamanho dos banheiros das residências, que inviabiliza a passagem de cadeirantes. Além disso, sem uma área mínima de circulação, fica impossível fazer transferência de uma pessoa em cadeira de rodas ao vaso sanitário e ao chuveiro.

“Hoje em dia, nos projetos de conjuntos habitacionais, é previsto um número de moradias com desenho adaptado para pessoas com mobilidade reduzida. Nas demais, o tamanho dos banheiros é tão pequeno que inviabiliza qualquer um de receber um visitante que seja cadeirante. Sem contar que ninguém está livre de precisar fazer uso um dia de um equipamento como este, nem que seja temporariamente”, completa Monica.

 

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