12/01/2009

Assaltantes fazem arrastões em prédio e condomínio de luxo em SP

Fonte: O Estado de S. Paulo

Foram levados carros, joias e dinheiro nas zonas oeste e norte; polícia não descarta vínculo entre as quadrilhas

Em menos de cinco horas, quadrilhas de assaltantes fizeram dois arrastões em condomínios de luxo de São Paulo localizados nas zonas oeste e norte. Nos dois casos, ocorridos entre a noite de sábado e a madrugada de ontem, grupos armados com metralhadoras e fuzis renderam porteiros, vigilantes e moradores. Sem ferir ninguém, os ladrões levaram carros, joias, dinheiros, computadores e armas. Ninguém havia sido preso até o início da noite de ontem. A polícia estima que 40 pessoas tenham participado diretamente das duas ações criminosas.

A distância de 25 quilômetros entre os dois roubos não afasta a possibilidade de ligação entre as quadrilhas, segundo informou a Assessoria de Imprensa da Polícia Civil. No primeiro arrastão, por volta das 22h40, nos Jardins, os assaltantes levaram um Astra preto. O modelo é idêntico a um dos dez carros usados, segundo testemunhas, no arrastão que aconteceu cinco horas depois, às 2h30, em um condomínio no bairro Pedra Branca, na região próxima ao Horto Florestal, na zona norte de São Paulo.

No arrastão nos Jardins, no Edifício Tulipa, na Alameda Lorena, o alarme chegou a ser acionado duas vezes, mas o segurança achou que o aparelho havia disparado por engano. A empresa NP Monitoramento foi acionada, mas o segurança informou que estava tudo bem e o sistema de alarme foi remontado.

Porém, cinco minutos depois, o alarme tocou novamente. Informado de que o problema estava na cerca localizada nos fundos do condomínio, o funcionário deu a volta no prédio para se certificar de que não havia invasores. Quando retornou à guarita, foi rendido por dois assaltantes. De acordo com a polícia, o porteiro foi ameaçado de morte. Os dois ladrões facilitaram a entrada dos outros oito parceiros, sendo seis pela entrada principal e dois pela de serviço.

Os assaltantes permaneceram na entrada do edifício e renderam moradores que entravam ou saíam do prédio. As vítimas foram obrigadas a abrir os imóveis. Depois, foram levadas ao apartamento 202, onde ficaram sob a vigilância de um dos criminosos. Ele usava um aparelho de rádio e um celular para se comunicar com os outros assaltantes. Dois dos bandidos destruíram o sistema de monitoramento por câmeras e não há registros de imagens da invasão.

DEPOIMENTOS – Até as 20 horas, cinco moradores e o porteiro tinham comparecido ao 78º Distrito Policial. Um aposentado de 73 anos disse que teve roubados diversos colares de pérolas, brincos, pulseiras, caneta Mont Blanc, perfumes, telefone celular, US$ 2 mil e R$ 300. De uma empresária de 51 anos os ladrões roubaram bolsas, bebidas importadas, quatro passaportes, máquina fotográfica digital, 12 anéis, 12 brincos, 10 correntes de ouro, pulseiras, braceletes, perfumes, celular, R$ 1 mil, US$ 3 mil, 2 mil e relógio. Um advogado de 28 anos entregou o telefone celular e um Astra preto. Um médico de 56 anos também teve o celular roubado. De uma administradora de 32 anos levaram malas, correntes, celular, e R$ 300.

Os dez assaltantes fugiram em um Palio Weekend de cor escura e um Astra preto, roubado de um morador. Segundo o investigador Carlos Eduardo, do 78º DP, a quantidade de objetos roubados pode ser ainda maior. Ele explica também que arrastões são planejados nos fins de semana na região. “Durante a semana o movimento nas ruas é intenso, é mais difícil invadir um condomínio.” Na delegacia, foram registrados no ano passado dois casos de arrastões em edifícios de luxo da região.

A polícia aguarda o depoimento de três famílias que ligaram para a delegacia e disseram que vão fazer hoje o boletim de ocorrência. Seguranças e porteiros do prédio e funcionários da NP Monitoramento também serão ouvidos.

Os funcionários de uma sorveteria que fica ao lado do prédio e estava aberta também devem ser chamados para prestarem depoimentos.

ZONA NORTE – Menos de meia hora após o final do assalto nos Jardins teve início a outra ação criminosa na zona norte, no condomínio Itatinga 1. Dessa vez, cerca de 30 homens armados com fuzis e metralhadoras chegaram em dez veículos, entre eles um Astra preto, mesmo modelo roubado no assalto dos Jardins.

O arrastão contabilizou o roubo de dois carros (um Fiat Palio e um Honda Fit), R$ 18 mil em joias, três computadores, máquinas digitais de fotografia e outros aparelhos eletrônicos.

Segundo testemunhas, uma casa de cinco andares, de fachada amarela, que tinha um cofre de metal com joias e dinheiro, era o principal alvo dos bandidos. Além dessa casa, o grupo teria invadido outras residências e roubado pessoas que participavam de uma festa de casamento no condomínio.

De acordo com a versão de um morador e de um porteiro, a ação teria começado bem antes do horário informado pela polícia sobre o roubo. Moradores disseram que por volta das 19h30 criminosos fizeram um morador refém e entraram de carro no condomínio. Às 23h30, outros integrantes da quadrilha teriam invadido o local e rendido os seis seguranças que estavam de plantão.

Durante a noite, os seguranças do condomínio, que tem cerca de 100 casas de alto padrão, fazem rondas de carro e de moto. Apesar de andarem armados, eles foram rendidos por integrantes da quadrilha. Dois revólveres calibre 38 foram levados dos seguranças.

Oficialmente, a Secretaria de Estado da Segurança Pública informou que o assalto teve início às 2h30, horário que consta no boletim de ocorrência. A ação na zona norte foi o primeiro arrastão em condomínios de alto padrão localizados próximos da Serra da Cantareira.

ARRASTÕES – A região dos Jardins é o alvo preferido das quadrilhas que promovem uma onda de assaltos a condomínios de luxos em São Paulo desde 2005. Entre 2006 e 2007, o aumento dos casos chegou 200%. Na ação mais recente antes dos dois roubos registrados entre sábado e ontem, em outubro do ano passado uma quadrilha levou R$ 1 milhão em joias e computadores de moradores de um prédio da Alameda Campinas. No caso, um jovem se passou por estagiário para enganar o porteiro.

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