22/10/2006

Aumenta a rotatividade de síndico

Fonte: O Estado de S. Paulo

Levantamento da Lello, que administra 1,1 mil condomínios, aponta troca em 78% deles nos últimos dois anos

Um levantamento da Lello com os 1.100 condomínios que administra na Grande São Paulo e Litoral registrou troca de síndico em 78% deles nos últimos dois anos. E as assembléias mostram que há mais interesse no cargo, tradicionalmente considerado um “abacaxi”. Para Angélica Arbex, supervisora de marketing da empresa, a alta rotatividade é motivada pela modernização das leis que regulam a vida em um edifício, mais exigentes, e pelo peso da taxa no orçamento doméstico, que aumentou muito nos últimos anos.

“Os conflitos entre síndico e condôminos diminuíram e o perfil também está mudando. A maioria dos novos síndicos é de jovens e com alguma experiência em administração”, diz. Segundo Angélica, um condomínio residencial gera em média, 10 mil documentos por ano. “É quase o mesmo que administrar uma grande empresa”. Mesmo considerando que a maior parte dos prédios conta com uma administradora profissional, segundo Angélica é o síndico quem define e faz a escala de prioridade das demandas.

Faltam Estatísticas

Não existe um acompanhamento sistemático desse movimento na cidade, mas mesmo assim, Hubert Gebara, vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), diz que, de forma geral, a renovação acontece em média, em 50% dos edifícios. E o perfil é uma salada mista. “Tem de tudo”, diz. “Notei um aumento no número de mulheres na função. De resto, a prevalência continua sendo de aposentados, ou senhores com mais de 60 anos, que são pessoas com tempo para se dedicar à tarefa, nem um pouco fácil”, diz.

O aumento do valor relativo da taxa de condomínio foi identificada pelo Secovi na comparação com o valor dos aluguéis. “O condomínio sempre ficou entre 25% e 30% do valor do aluguel. Hoje está entre 30% e 40%”, diz. O Secovi não faz comparação com a renda dos moradores, mas Gebara garante que os vilões nesse caso são as tarifas públicas, que subiram muito acima da inflação. “E os aluguéis tiveram reajuste abaixo da inflação. Não podia ser diferente”, afirma.

O empresário aponta ainda a inadimplência como fator importante nesse caso. “Subiu de 5% para 10% em média. E esse ano ainda teremos reajuste dos salários dos empregados em condomínios, que não subiam há tempos”, diz. Um acordo com o sindicato da categoria vai elevar os valores em 5,5% esse ano.

“Com a renda pressionada, os síndicos enfrentam uma situação bastante difícil, pois não há margem para cobrir os reajustes”, diz. O que indica um horizonte turbulento ainda por algum tempo.

 

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