30/10/2006

Aumento do roubo de residências faz seguradoras mudar estratégia

Fonte: O Estado de S. Paulo

Plano é buscar imóveis de menor risco para equilibrar prejuízo com casas e condomínios da classe média alta Empresas disputavam os mesmos clientes e deixaram de lado os imóveis mais baratos

Alex Silva/AEZap o especialista em imóveisProteção – Denise Pavani tinha seguro quando sua casa foi invadida, mas o valor não cobriu o prejuízo

O aumento da freqüência dos assaltos a condomínios das classes média e alta – até pouco tempo considerados fortalezas – obrigou as seguradoras a rever a estratégia de mercado. A nova demanda fez com que algumas seguradoras não só aumentassem o valor das apólices dos apartamentos como criassem seguros para as classes populares. O objetivo é aumentar a base de segurados e diminuir o prejuízo por conta do aumento das indenizações.

“Existe grande demanda por seguros residenciais no Brasil que não é atendida”, analisa o advogado e consultor especializado em seguros Antonio Penteado Mendonça. Para ele, as seguradoras focaram os negócios erradamente na classe média, deixando de lado os seguros mais baratos. Disputaram por muito tempo os mesmos clientes, baixando o valor das apólices ou diminuindo a comissão do corretor.

Segundo o supervisor de Riscos Especiais da Marítima Seguros, Marcos Landim Meireles, o seguro residencial é barato. “Tem custo médio de R$ 120 por ano e garante o patrimônio que a pessoa acumulou a vida inteira”, diz. Ele acredita que os proprietários não fazem seguro por desconhecimento. “Só vão atrás depois que acontece.” No entanto, as coberturas de roubo obrigaram as empresas a mudar o cálculo da anuidade dos seguros. Antes, o preço médio era de 5% do valor do conteúdo da residência para casas e de 2% para apartamentos. Agora, pode chegar a 10% em ambos os casos.
“O criminoso descobriu que é muito mais fácil fazer o assalto no atacado.

Hoje não há mais diferença entre o roubo de uma casa e de um apartamento de classe média”, afirma Mendonça.
Hoje, os seguros residenciais estão segmentados em popular, médio padrão e alto padrão. O plano de cobertura básico vale contra incêndio, raio e explosão. Os sinistros adicionais vão do roubo, quebra de vidros e desmoronamento à responsabilidade civil familiar, que, conseqüentemente, encarecem o seguro.

Cuidados

O diretor de Ramos de Riscos Patrimoniais da Porto Seguro, Adilson Pereira, ensina que os proprietários devem procurar um corretor para adquirir o seguro. “É o profissional habilitado para ajustar a apólice às necessidades do cliente”, explica.
Tudo deve estar explicitado no contrato. “É preciso ficar atento às alternativas. São muito parecidas e para vender o mau corretor oferece só as mais simples”, alerta Mendonça.
Após o sinistro, a seguradora tem um mês para ressarcir o consumidor.

Segundo a assistente de direção do Procon-SP, Sônia Amaro, o valor assegurado deve ser coberto e o cliente não é obrigado a declarar bens ou a exibir nota fiscal. O seguro residencial básico cobre incêndio, raio e desmoronamento. Os adicionais, como roubo, devem ser discutidos ponto a ponto e tudo deve ficar claro no contrato.

O seguro do condomínio é obrigatório, mas cobre apenas o prédio e as áreas comuns. O patrimônio privado deve ter um seguro a parte.

No caso de sinistro, a seguradora tem um mês para ressarcir o cliente. O valor deve ser o estipulado no contrato e, para recebê-lo, não é preciso nota fiscal Problemas com o corretor, como promessas não cumpridas, são os mais comuns e a forma mais simples de reclamar é diretamente com o Sindicato dos Corretores de Seguros (Sincor) ou aos Procon.

Se o problema for com a seguradora, o caminho mais prático é recorrer ao Procon. A Superintendência de Seguros Privados (Susep) entra com ação e multa as empresas, mas a resolução dos casos pode demorar até dois anos. 

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