08/04/2007

Azulejos para contar histórias

Fonte: O Globo

Painéis pintados em estação de metrô resgatam passado da região do Cantagalo

Pintados à mão, os azulejos podem contar muitas histórias. É o que acontece na recém-inaugurada estação Cantagalo do Metrô Rio, em Copacabana, onde três painéis de 18 metros quadrados e 2,4 mil azulejos, pintados pelo arquiteto Urbano Iglesias, procuram resgatar a história da região onde se encontra. Nas residências, muito usada em cozinhas e banheiros por suas características impermeabilizantes, a peça de cerâmica pode contar uma história que tenha a ver com o morador.

— Morei em Portugal durante muitos anos e essa técnica é muito usada até hoje na arquitetura, tanto externa quanto internamente. É um material barato que proporciona efeitos plásticos bastantes originais — destaca Iglesias.

O arquiteto explica que um dos painéis fixados na estação de metrô se refere à Mata Atlântica, que cobria o Morro dos Cabritos, em cuja base a estação está inserida. Outro representa todas as florestas que são desmatadas.

Por isso, num dos painéis, uma espécie de bromélia, das três mil conhecidas, foi usada como tema principal. Em outro, o bambu, originário da Ásia, divide espaço com folhas de costela-de-adão.

— São duas plantas cultivadas em todo o mundo, que representam as outras matas — destaca.

O terceiro painel identifica a estação Cantagalo. Esse nome, diz o arquiteto, serviu para denominar cidades, bairros e fazendas:

— Para fazer essa referência, o painel mostra um galo, sempre atento a quem chega e a quem parte. Ele também convida à leitura de dois pequenos textos de historiadores sobre o local.

A pintura dos azulejos, conta Iglesias, é feita com esmaltes especiais próprios para queima em alta temperatura, de forma a transformá-los num material semelhante à porcelana, no que se refere à textura e durabilidade.

 

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