06/04/2009

Bancos estão emprestando menos do que permitem as novas regras do SFH

Fonte: O Globo

Cenário seria melhor se os bancos privados estivessem emprestando até R$ 450 mil para a compra da casa própria, como foram autorizados a fazer

A classe média comemora as mudanças nas regras do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) anunciadas pelo governo na semana retrasada. Mas o cenário seria melhor se os bancos privados estivessem emprestando até R$ 450 mil para a compra da casa própria, como foram autorizados a fazer. De fato, oferecem até R$ 400 mil. Ou seja. uma diferença de R$ 50 mil, valor mínimo para um conjugado no Centro ou mesmo na Tijuca. É que consideram um percentual máximo de 80% do v (de R$ 500 mil, agora) e não o novo limite, de 90%. E, segundo executivos das instituições, não há planos para aumentar esse teto. Antes das mudanças, o imóvel deveria ter um valor máximo de R$ 350 mil, e o limite de empréstimo era de R$ 245 mil. Respeitado esse teto, os bancos já emprestavam até 80%. Para eles, conceder o empréstimo de 90% do valor do imóvel seria uma operação de altíssimo risco, apesar de a garantia da alienação fiduciária, que facilita a retomada do imóvel, em caso de inadimplência.

“O imóvej sofre uma depreciação e, em caso de inadimplência, se tiver que executar o imóvel, corro o risco de não recuperar o valor emprestado. Quanto mais alto esse valor, maior o risco”, admite a superintendente de Produtos e Negócios Imobiliários dos bancos Santander e Real, Nerian Gussoni.

A conjuntura económica também é apontada como barreira à oferta de melhores condições de financiamento. Em 2007, a maioria dos bancos flexibilizou os prazos, chegando a 30 anos, e reduziu juros. Mas, ano passado, no auge da crise, reviram essas mudanças.

“Nós ainda estamos absorvendo o impacto dessa turbulência. Com a estabilização financeira, devemos caminhar para a oferta de melhores condições para a casa própria, mas, por enquanto, não há perspectivas de quando isso acontecerá”, afirma Josué Augusto Pancini, diretor do Departamento de Empréstimos e Financiamentos do Bradesco.

António Barbosa, diretor de Crédito Imobiliário do HSBC, faz a mesma análise. Apesar da meta ambiciosa de ampliar em 25% a 30% os empréstimos para a habitação (em 2008, a carteira de cresceu 49,5%, para R$ 290 milhões), o banco não pretende aumentar o percentual de 80%:

O novo limite do SFH é só uma correção de valor que estava defasado. Mudanças e lançamentos de produtos são possíveis, mas não com a pujança de pouco tempo atrás.

Para a administradora Melissa Paiva, a medida veio na hora certa. Ela está interessada na compra de uma cobertura num prédio novo da Tijuca que custa R$ 480 mil. Melissa tem RS 80 mil para dar de entrada e gostaria de financiar os outros R$ 400 mil.

Com o limite imposto pelos bancos, de 80%. só conseguirei um empréstimo de R$ 384 mil. Vou continuar pesquisando.

Para imóvel que passa a se enquadrar no SFH a majorados bancos cobra juros de 11% a 12% mais TR. Na Casca Econômica – que assim como o Banco do Brasa, informa que pode conceder crédito até RS 450 mil – a taxa desce a 105%, se o mutuário for ciente da casa.

No crédito para imóvel com valor acima de R$ 500 mil, tomado via carteira própria dos bancos, as condições não foram alteradas. Os juros estão no patamar de 12%, sendo 11% na Caixa para quem adquire o pacote de serviços, e o prazo médio é de 25 anos. 

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