06/01/2009

Bancos fazem linha dura na hora do crédito

Fonte: Jornal da Tarde

Crise pode atrapalhar negociação para quem financiou a compra de imóvel na planta

Quem parcelou a compra de um imóvel na planta pode encontrar, em 2009, dificuldades para trocar o financiamento da construtora pelo do banco, no momento de entrega das chaves. Com a crise financeira, as instituições estão mais seletivas na concessão de crédito, o que torna as exigências maiores.

Os consumidores podem enfrentar dificuldades principalmente em instituições privadas. Fonte do setor ouvida pelo Seu Bolso cita o Bradesco e o Itaú como os bancos que prometem “engrossar” a negociação. Mais conservador, o Bradesco costuma adotar uma postura contida em momentos de crise.

Mas como a maior parte dos financiamentos são feitos por meio da Caixa Econômica Federal, a maioria dos consumidores não será afetada.

O presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis de São Paulo (Secovi-SP), João Crestana, afirma que entre 60% e 70% dos contratos são firmados com a Caixa. “E as condições oferecidas pela instituição não pioraram com a crise. Elas até melhoraram.”

Para o economista Cláudio Felisoni, presidente da Fundação Instituto de Administração (FIA), é natural que os bancos sejam mais criteriosos na concessão de crédito. ?O cenário mudou e, por isso, as instituições tornam-se mais cautelosas?, afirma. “Qualquer pessoa com uma proposta de financiamento vai encontrar hoje uma situação mais delicada, em relação ao ano passado.”

Segundo Crestana, o prazo médio dos contratos de financiamento pela construtora é de dois anos, embora não haja limites. Após a entrega das chaves, o consumidor precisa financiar o restante da dívida com o banco. “Até lá, a pessoa pode perder o emprego ou ficar endividada. Se isso ocorrer, o banco pode recusar o financiamento”, explica.

A recusa já ocorria antes mesmo da crise. Agora, porém, os bancos podem intensificar a análise de crédito, para evitar a inadimplência. Para não ter sua proposta recusada, o comprador deve manter o orçamento sob controle.

Neste início de ano, os bancos estatais sinalizam com a manutenção das condições de crédito, o que vai acirrar a concorrência. A expectativa é de que as instituições mais hesitantes, como Bradesco e Itaú, acabem acompanhando a Caixa e o Banco do Brasil para não perderem clientes. “A Caixa não fez nenhuma alteração nas taxas e nas exigências para a concessão do crédito imobiliário. E nem pretende fazer”, diz Augusto Bandeira Vargas, superintendente da Caixa em São Paulo.

O BB segue a mesma linha. “Do ponto de vista da metodologia para a obtenção de crédito, o cliente não vai encontrar dificuldades neste início de ano”, diz Sérgio Augusto Kurovski, gerente-executivo do banco. Bradesco e Itaú não se pronunciaram.

CUIDADOS – Na hora de solicitar o crédito no banco, o consumidor precisa se certificar de que seu orçamento está sob controle. As exigências do banco geralmente são as mesmas da construtora. Por isso, se houver desequilíbrio na fase em que o financiamento é feito com a construtora, o banco pode recusar o contrato. O excesso de dívidas, por exemplo, é um fator negativo.

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