18/03/2007

Bancos põem dinheiro novo na casa própria

Fonte: O Globo

Instituições descobrem um filão no financiamento imobiliário

Roberto Sturcket FilhoZap o especialista em imóveisA funcionária do BB Priscila Barreto consegui financiamento de R$ 86 mil para a compra de um apartamento de R$120 mil, em Brasília

A corrida pela casa própria está levando a um fenômeno raramente visto no Brasil: os bancos estão usando recursos livres — dinheiro obtido com os depósitos dos correntistas — para o financiamento habitacional. Hoje, pela legislação, 65% de todo o depósito de poupança têm de servir, obrigatoriamente, para bancar empréstimos para a casa própria, via Sistema Financeiro da Habitação (SFH). E poderia ficar por aí. Mas, com a queda acentuada dos juros e o aquecimento do mercado, o Banco Central (BC) detectou que os bancos estão destinando cada vez mais dinheiro sem carimbo para a compra de imóveis. O que, aliás, lhes permite criar produtos e conquistar uma variada gama de clientes.

Em janeiro, último dado disponível, o uso desses recursos para financiar casa de pessoas físicas cresceu 42%, se comparado com o mesmo mês do ano passado, chegando a R$1,278 bilhão. No trimestre dezembro/fevereiro, a expansão registrada foi de 14,5%. Esse resultado indica, como avaliou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, propensão a um crescimento vigoroso dos empréstimos daqui para frente. Especialmente com a tendência de queda da Selic.

— O volume é muito pequeno se comparado com o mercado todo, mas está ganhando corpo nos últimos meses. Isso é importante — afirmou Lopes, na última divulgação de dados do BC.

Com oferta maior, juro tende a recuar

Para a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), esse movimento é positivo sobretudo porque pode trazer novas modalidades de empréstimos para o consumidor final. Entre elas, o financiamento para imóveis mais caros e a maior aceitação de taxas de juros prefixadas, algo que começou no país apenas no ano passado. Com a oferta maior, e conseqüente concorrência, os juros tendem a recuar também.

— Para o tomador final, é melhor que tenha a maior oferta possível — avalia o superintendente técnico da Abecip, José Pereira Gonçalves.

Nos últimos anos, a carteira de crédito imobiliário com recursos da poupança também cresceu bastante. Só em 2006, a alta chegou a 92,50% em relação ao ano anterior, com um desembolso de R$9,34 bilhões. O desempenho com os recursos livres ainda fica aquém disso. Mas mostra fôlego, e a tendência, afirmam os especialistas, é continuar em expansão no futuro.

Esse capital livre poderia ser usado de diferentes formas. Por exemplo, nas tesourarias dos bancos, sendo alocado para a compra de títulos públicos. Mas, com a taxa Selic em seu menor patamar histórico — de 12,75% ao ano — as instituições financeiras estão buscando alternativas de investimento mais rentáveis.

 

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