01/02/2010

Bancos preveem juro estável para crédito imobiliário em 2010

Fonte: O Estado de S. Paulo

Segundo executivos, provável alta do juro básico da economia (Selic) não influenciará custo dos financiamentos

Juro do financiamento varia entre 8% e 10% ao ano mais TR (Fotos: Divulgação)
Juro do financiamento varia entre 8% e 10% ao ano mais TR (Fotos: Divulgação)

Enquanto o mercado financeiro discute quando e quanto o juro básico deve subir neste ano, no imobiliário o discurso é de que as taxas dos financiamentos não vão acompanhar a trajetória de alta da Selic. O principal argumento dos bancos é de que a maior parte dos recursos do crédito imobiliário é captada por meio da poupança, investimento que não sofre grandes alterações de rentabilidade quando o juro básico é modificado.

Especialistas esperam que a Selic encerre 2010 em 11,25% ao ano (ante 8,75% hoje), de acordo com o mais recente boletim Focus do Banco Central (BC), resultado de uma pesquisa com centenas de instituições financeiras e consultorias.

“Os recursos do crédito imobiliário vêm da poupança. Mesmo com a Selic tendo um ajuste, não deve haver alteração nas taxas praticadas”, disse o superintendente executivo de crédito imobiliário do Bradesco, Claudio Borges. Por lei, os bancos são obrigados a direcionar 65% do dinheiro da poupança a empréstimos habitacionais.

Independentemente do novo nível da Selic, a caderneta paga ao investidor 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (TR) – calculada a partir da taxa média dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs). A rentabilidade estável da caderneta faz com que o custo dos bancos ao captar o dinheiro para empréstimos imobiliários não suba caso a Selic seja elevada.

O juro do financiamento varia entre 8% e 10% ao ano mais TR. “Parte do cálculo da TR contém a Selic. Se o juro sobe, a TR deve subir também, mas a parte fixa do financiamento não deve ser alterada”, afirmou o diretor de empréstimos e financiamentos do Banco do Brasil, Nilson Martiniano. A TR tem um custo muito baixo para o mutuário. Nos últimos meses, tem ficado abaixo de 0,1% ao mês.

Segundo os bancos, não deve ocorrer algo parecido com o visto em outubro de 2008, quando as instituições aumentaram o juro cobrado no empréstimo imobiliário. Em alguns casos, a taxa chegou a 12% ao ano mais TR. “Não foi somente a Selic que fez o juro do crédito subir no passado. Foi uma questão de mercado”, lembra o diretor de crédito imobiliário do Santander, José Roberto Machado Filho. Na época, havia o temor de que a inadimplência subiria.

RECORDE – O início de ano fraco não impediu que 2009 batesse recorde de financiamento em valor e em unidades financiadas. Foram concedidos R$ 34 bilhões em empréstimos com dinheiro da poupança. No total, 302,7 mil unidades foram financiadas, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário Poupança (Abecip).

O aumento da oferta de crédito se explica, em parte, pela captação da poupança. Os depósitos bateram recorde – R$ 300 bilhões – em 2009. “No primeiro semestre, poderia dizer que inexistiu lançamento de imóveis, pois a crise fez com que as construtoras não tomassem mais empréstimos para construir e tentassem vender o estoque existente”, disse o diretor de crédito imobiliário do HSBC, Antonio Barbosa.

Segundo especialistas, a confiança da pessoa física na economia aumentou agora. “O comprador ficou receoso em assumir dívidas na crise”, disse o diretor de crédito imobiliário do Itaú Unibanco, Luiz França. “Em dezembro, emprestamos R$ 2,39 bilhões à pessoa física. Houve uma volta clara ao financiamento de novos e usados.”

A expectativa é de que o crédito avance neste ano. “Esperamos fechar 2010 com R$ 3,7 bilhões em crédito imobiliário”, disse o gerente-executivo de empréstimos do BB, Sérgio Augusto Kurovski, que emprestou R$ 600 milhões em 2009. A Caixa Econômica Federal, líder do mercado, acredita que o crédito alcançará R$ 50 bilhões, ante R$ 47 bilhões de 2009.

“O crédito imobiliário ainda representa muito pouco do PIB”, frisa Barbosa, do HSBC. Segundo a consultoria Accenture, no Brasil, esse porcentual é de 2,1%, contra 65% nos EUA e 9% no México.

TAXAS ATRATIVAS – Milhares de brasileiros, como Junior Bueno de Camargo, de 37 anos, aproveitaram o bom momento do mercado imobiliário de – juros no nível mais baixo da história – para trocar a casa própria.

“Estou morando no ABC Paulista e queria voltar para São Paulo para ficar mais próximo do trabalho. Aproveitei a oportunidade de taxas atrativas e pagamento facilitado para adquirir um apartamento no Morumbi”, diz o economista, que financiou seu imóvel a um juro de 9,1% ao ano mais TR. “Vou financiar 70% do valor do imóvel e pagar em 20 anos.”

Três meses de pesquisa na região e mais um mês para a liberação do crédito foram suficientes para Camargo conseguir comprar o apartamento de 100 metros quadrados em novembro. “Quis comprar no fim do ano para fazer a mudança ainda durante as férias escolares do meus filhos.”

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8 Comentários

  1. Em primeiro lugar agradeço o espaço p/ comentario.Adimiro muito todas essas propagandas e todos esses numeros.Mas moro de aluguel a mais oumenos 18 anos e estou na estatisca da queles que não conseguen financiar um imóvel.È por isso que me indago (porque?) e pra essa indagação eu mesmo tenho a resposta, e porque os bancos só fazem emprestimos si vc receber seu pagamento no mesmo caso contrário eles não financiam nada, ou ter bastante dinheiro na conta, mas si eu tivesse esse dinheiro não precisava do banco é logico.Trabalho de motorista tenho um pagamento de mais ou menos 2900, e pago meu aluguel em dias a anos.Fico muito grato, mas um dia posso acreditar nessas estatisticas, quando eu fizer parte dela caso contrario continuo sonhando..!

  2. Eu ganho R$ 700 e pago aluguel faz 8 anos e tenho 8 mil real no banco e queria financiar uma casinha pra mim de R4 42.000 e nunca consegui este sonhado “credito” que muitos falam – dizem que tenho que ganhar R$ 1967,54 para receber este credito porem somente ganho 700 – que porcaria! To na lona como 89% dos brasileitos

  3. Respondendo o Sr. Jack.Voce pode procurar a caixa economica federal e questionar sobre Carta de Credito FGTS.Com uma renda de R$ 700,00 voce consegue um financiamento de 26.500,00. Sendo que sua renda lhe permite receber um subsidio de R$6.000,00. Ou seja, você consegue R$ 32.500,00. Precisando dar uma entrada de R$ 9.500 (bem proximo dos R$8.000,00 que voce ja tem) – para chegar aos R$ 42.000,00.Entao procure uma agencia da caixa e procure se informar (seu sonho pode ser realizado).Outra coisa caso você tenha FGTS pode usar o saldo como entrada.Lembre-se que ira precisar juntar um pouco para gastar com documentação.ABRAÇOS !!!!

  4. Respondendo ao Djair.Procure uma agencia da caixa economica. Hoje, voce consegue financiar um imovel com a analise de renda informal (ou seja, o gerente da caixa ira solicitar seus extratos bancarios dos ultimos 6 a 12 meses para fazer uma media).Acredite no seu sonho e saia do aluguel.Com uma renda de RS 2900,00 voce consegue financiar uns RS 74.000,00 em 240 meses. A caixa financia cem por cento deste imovel.Procure uma agencia e procure se informar!ABRACOS!!!!

  5. BOA TARDE, PORQUE A TANTA BUROCRACIA EM ADIQUIRIR UMA CASAFINANCIADA PELA CX, PAGO 505,00 DE ALUGUEL A TRES ANOSPRETENDO NO FINAL DESTE ANO ADQUIRIR ESTE IMOVEL SERÁ QUEVOU CONSEGUIR COMPRAR ESTE TANTO SONHADO IMOVELOBRIGADO. SELVIO

  6. concordo com os comentários acima pois é muito difícil financiar um imóvel ´pois os “donos” dos imóveis + os “donos” do dinheiro não acreditam que iremos pagar corretamente , e por causa de uns inadiplentes os outros pagam por isto, e tem mais há os casos em que os espertinhos vão lá constroem em terrenos alheios ou áreas do governo,e rapidinho conseguem escolas ,postos de saúde etc. e não pagam nem luz nem água e nem imposto.o brasil tem tanta terra, em extensão territorial é o maior da américa latina, só que muito mal distribuído.

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