11/11/2007

Bancos privados também entram na disputa pelo público de baixa renda

Fonte: O Globo

Itaú vai conceder, em breve, empréstimo via FGTS

Ao mesmo tempo em que a Caixa Econômica Federal avança no segmento mais forte dos bancos privados — a classe média — os agentes particulares tentam acessar um mercado de renda mais baixa. O Banco Itaú já concluiu um acordo com o Conselho Curador do FGTS, a fim de repassar recursos para o financiamento imobiliário de cliente de baixa renda. A princípio, serão ofertados R$200 milhões, mas novos recursos poderão ser captados. As condições de valor de imóvel, renda e juros, entre outras, serão as mesmas adotadas pela Caixa.

Segundo o diretor da área de crédito imobiliário do Banco Itaú, Luiz Antônio França, essa é mais uma iniciativa para diversificar as fontes de recursos e, ao mesmo tempo, atingir um público de renda menor:

— Percebemos uma demanda por empréstimos nessa faixa mais baixa de renda e avaliamos que poderíamos repassar os recursos do FGTS.

Banco do Brasil também já está habilitado pela CEF

De acordo com a Caixa, já existem dez bancos autorizados a operar, com limites definidos em função do rating atribuído pela instituição. Entre eles, está o Banco do Brasil, que recentemente entrou no mercado de crédito imobiliário, em parceria com a Associação de Poupança e Empréstimo (Poupex), dos militares, e se prepara, ainda, para operar com linha própria.

Mesmo nas linhas do SFH, os bancos privados já vinham baixando suas taxas para competir com a Caixa Econômica. No Bradesco, por exemplo, para imóveis de até R$120 mil, a taxa pode ser de 9% ao ano mais TR durante todo o contrato ou de 8% nos primeiros 36 meses e 11,5% no prazo restante. Já o Itaú financia imóveis com valor entre R$40 mil e R$120 mil com juros de 8% ao ano mais TR nos primeiros 36 meses e 12% no prazo remanescente; de 8,5% mais TR nos primeiros 60 meses e 12% no prazo restante ou ainda de 9% durante todo o contrato. E, no Santander, na linha Super Casa Parcelas Atualizáveis, os juros da compra de imóveis com preços que variam entre R$40 mil e R$120 mil são de 7,95% ao ano mais TR nos primeiros 36 meses e 12% depois.

Para especialistas do setor, a extensão da linha do FGTS à classe média vai contribuir para forçar a queda dos juros dos empréstimos para habitação também para esse público:

— A lógica do mercado é essa: por causa dos concorrentes, as outras empresas personalizam seus produtos para se tornarem mais competitivas — afirma José Domingos Vargas, da Caixa.

Em setembro, recorde de recursos para habitação

O volume de operações de financiamento, que vem batendo seguidos recordes, é um dos indicadores das melhorias das condições de financiamento este ano. O valor contratado em setembro pelos bancos privados foi de R$1,85 bilhão, o maior da história em um único mês, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Desde outubro de 2006, o total de empréstimos soma R$14,8 bilhões — um crescimento de quase 80% em relação aos 12 meses anteriores.

A CEF, que em todo o ano de 2006 emprestou R$14 bilhões para habitação, este ano já concedeu R$13 bilhões para financiar 497 mil unidades.

 

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