22/04/2009

Bancos voltaram a emprestar como antes da crise

Fonte: Jornal da Tarde

As taxas já estão similares às de setembro do ano passado, antes da crise. Hoje, instituições oferecem índices de até 9,5%, ante 8,16% do programa “”””Minha Casa””””. E podem cair mais

Quem deseja financiar a casa própria, mas não se enquadra no pacote habitacional do governo – seja por ganhar mais de R$ 4.650 por mês ou por querer comprar um imóvel com valor superior a R$ 130 mil -, consegue encontrar uma ampla oferta de crédito no mercado com juros não tão distantes dos cobrados no programa governamental. Os bancos voltaram a emprestar como antes da crise, e as taxas já retornaram ao patamar de setembro do ano passado. E podem cair ainda mais.

Hoje, enquanto no programa ?Minha Casa, Minha Vida? os juros máximos são de 8,16% ao ano mais Taxa Referencial (TR), fora das regras do pacote a taxa mínima encontrada é de 9,5% ao ano mais TR, da Caixa Econômica Federal (veja tabela).

A diferença se explica. No plano habitacional do governo, os empréstimos são subsidiados e restritos aos 184 mil novos imóveis que serão construídos no Estado de São Paulo com o objetivo de estimular a economia em tempos de crise. Fora do pacote, os financiamentos seguem as regras de mercado, não possuem as garantias contra inadimplência previstas no programa e se aplicam tanto aos imóveis novos quanto aos usados, de qualquer valor. Por isso, as taxas são maiores.

“Quem não se enquadra no pacote, embora pague juros um pouco mais altos, tem a vantagem de poder procurar os imóveis usados, que, às vezes, apresentam condições melhores que os novos a preços menores”, afirma José Augusto Viana Neto, presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci-SP). “Por isso, aconselho as pessoas a pesquisarem bem antes de decidir que casa comprar. Mesmo as que se enquadram no pacote.”

Além de analisar bem os imóveis disponíveis no mercado, o consumidor precisa estudar a oferta de crédito dos bancos. Nas tabelas-padrão, elas variam bastante. Mas é possível negociar taxas mais baixas se houver um bom histórico no banco e se o cliente já tiver bastante tempo de relacionamento com a instituição financeira.

NOVAS QUEDAS – Cabe também ficar atento às mudanças no cenário econômico. Por conta da crise, é esperado que, este mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) promova um novo corte na taxa básica de juros (Selic), atualmente em 11,25% ao ano. Isso refletiria em um barateamento do crédito imobiliário, já que a Selic é um dos componentes no cálculo da TR.

Outra ação do governo que pode beneficiar os mutuários é a mudança nas regras da poupança. Uma das formas estudadas pela equipe econômica é alterar a própria fórmula de cálculo da TR – como ocorreu em 2007, quando o governo adotou essa medida depois de baixar a taxa básica de juros.

Hoje, o Banco Central calcula a TR com uma média dos juros pagos pelos Certificados de Depósitos Bancários (CDB) dos maiores bancos do País. Sobre esse resultado, aplica-se um redutor. Caso a equipe econômica faça com que esse redutor se torne maior, a TR ficaria menor.

“Mas qualquer mudança nas regras da caderneta deve ser muito bem pensada, pois tem de ponderar os interesses dos poupadores, dos bancos e do setor de construção civil”, diz Celso Petrucci, economista do Sindicato da Habitação (Secovi-SP).

SIMULAÇÕES DE FINANCIAMENTO:

Renda da família: R$ 6,5 mil
Valor do imóvel: R$150 mil
Entrada: R$ 30 mil
Valor do financiamento: R$ 120 mil
Prazo: 20 anos
Taxa de juros: 9,5% ao ano +TR
1ª prestação*: R$ 1.484,79

Renda da família: R$ 7 mil
Valor do imóvel: R$ 200 mil
Entrada: R$ 40 mil
Valor do financiamento: R$ 160 mil
Prazo: 20 anos
Taxa de juros:
9,5% ao ano +TR
1ª prestação*: R$ 1.971,39

Renda da família: R$ 7,5 mil
Valor do imóvel: R$ 250 mil
Entrada: R$ 75 mil
Valor do financiamento: R$ 175 mil
Prazo: 30 anos
Taxa de juros: 10,5% ao ano +TR
1ª prestação*: R$ 2.049,54

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