05/07/2004

Barra Funda: rural e industrial

Fonte: Editoria Zap


Três milhões de pés de café e uma Casa Grande que fez jus à denominação ocupavam a chácara Carvalho por volta de 1850. Uma divisão do sítio Iguape, a propriedade que originou a Barra Funda pertencia à família do Conselheiro Antonio Prado, primeiro prefeito eleito da cidade de São Paulo. O bairro iniciou seu crescimento ao lado da chácara que teve sua grandiosa sede desenhada por Luigi Puci, também responsável pelo projeto do Museu do Ipiranga.

Situada na várzea do rio Tietê, a Barra Funda era vista como um lugar de terras baixas e habitações pobres. O bairro, desprezado pelo mercado imobiliário do início do século 20, perdia moradores para áreas de terrenos mais altos como o espigão da avenida Paulista, Higienópolis e Aclimação, repletos de palacetes. As terras do conselheiro foram loteadas no fim do século 19. A proximidade com o centro e a presença dos trilhos da São Paulo Railway proporcionaram um rápido crescimento à região e atraíram muitas indústrias.

A chegada do complexo fabril não comprometeu a arquitetura da região. Edifícios históricos, como o Teatro São Pedro, construído em 1917; o Royal Club, de 1919 e o Colégio Buone Conciglio, da Congregação Madre Cabrini, de 1936, foram preservados. Após seu loteamento, a região tornou-se reduto de negros e imigrantes italianos, portugueses e espanhóis. Os negros habitavam os porões das casas alugadas pelos imigrantes, que originaram a classe média da Barra Funda.

Morador mais ilustre do bairro, Mário de Andrade morou na Rua Lopes Chaves, cortada pela via batizada com o mesmo nome do escritor modernista, até 1945. Existem mais oito ruas homônimas ao escritor na capital.

No início da década de 1940, só havia depósitos de leite nos bairros da Lapa, Pinheiros, Penha e Barra Funda. Até essa época, a região era passagem obrigatória para quem ia ao centro de São Paulo. Abrigava também quem não podia morar nos Campos Elíseos, área considerada nobre até o final dos anos 1950. Inversamente proporcional, o desenvolvimento industrial se fortalecia. O prédio do Moinho Central chegou a estocar seis mil toneladas de trigo.

A decadência da parte residencial da Barra Funda começou com a extinção dos bondes, que deixaram de ser o principal meio de transporte da cidade. Alguns anos depois, a construção do Minhocão causou mais mudanças, desta vez ao desenho do bairro.

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