14/11/2008

Beleza a perder de vista

Fonte: O Estado de S. Paulo

São 50 alqueires e mais de 100 espécies. Vida nova à antiga fazenda de café, trabalho de Irineu Engler, um apaixonado pelas terras e plantas de Areia Branca

São Paulo – Areia Branca, na divisa de Amparo, Pedreira e Campinas, foi um dos paradeiros de Anthony Knivet, aventureiro a serviço do pirata Thomas Cavendish, cuja expedição navegou pelo sul do Brasil em 1591. Segundo o pesquisador Edgardo Steula, é do inglês o primeiro registro da passagem de alguém por Areia Branca. 

Zeca Wittner/AEZap o especialista em imóveisEntrada da fazenda, com alameda de palmeiras imperiais

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hoje, as suaves colinas do lugar abrigam sítios e fazendas. Mas nem sempre foi assim. Em suas memórias, Knivet conta que viveu entre índios e colonos selvagens. Um século depois, Areia Branca viu escravos trabalhando nos campos de café e, mais tarde, imigrantes chegando para lavrar a terra. Esse foi o passado da Fazenda Santa Isabel, comprada há 18 anos por Paulo Lenzi, juiz aposentado. “Plantei laranja numa boa extensão, mas não vivo disso”, diz ele, que mantém um escritório de advocacia em Pedreira. “A fazenda é mais para lazer e reuniões de família.” 

A Santa Isabel estava abandonada quando foi adquirida por Lenzi. “Ainda tentei manter a sede, mas só aproveitei mesmo o alicerce na nova casa”, diz o advogado. Mas, se esta é simples, o entorno torna o espaço singular, obra do paisagista Irineu Engler, que explorou os recursos naturais para dar vida à vasta área (a fazenda tem 50 alqueires). Natural de Pedreira, cidade que teve sua família como uma das fundadoras, Irineu, arquiteto de formação, conhece a região como a palma da mão. “Morei na Tailândia e nos Estados Unidos, fiz cursos de paisagismo em vários países. Mas sou um apaixonado por Pedreira. A geografia é linda; a terra, maravilhosa.”  

Tipuanas centenárias
Irineu confessa que não foi simples fazer o projeto de macropaisagismo da Santa Isabel. “Sempre começo com a análise química do solo, o estudo da topografia e da insolação.” Ali, Irineu plantou mais de 100 espécies, entre árvores de grande porte, forrações e maciços. “Havia apenas quatro tipuanas centenárias, um flamboyant e jabuticabeiras no pomar, mas o que mais surpreendeu foi a quantidade de nascentes, o que acabou determinando meu projeto”, lembra. Irineu iniciou o trabalho a partir da entrada, plantando uma alameda de palmeiras imperiais ladeadas por cercas brancas.

O paisagismo seguiu a topografia. Num plano, usado como campo de futebol, Irineu plantou grama e circundou a área com jerivás. Na área da churrasqueira, em uma ligeira elevação, aproveitou as tipuanas (com 2,5 m, R$ 20, na Capa Plantas), árvores ideais para sombra. E distribuiu as espécies – sob o ipê, a trepadeira monstera, cujo fruto, a banana-de-macaco, “era o preferido da princesa Isabel”; aqui, um grande junípero; ali, touceiras de dracenas vermelhas, acalifas e bromélias; mais adiante, canteiro de aromáticas e a estíftia, flor em forma de pompom que os gregos davam de presente como sinal de amizade (R$ 80, na Capa Plantas, de 0,80 m e a 1 m). 

Irineu ainda criou caminhos circundados por agapantos e praças com fontes naturais. Se o vermelho vem da primavera e o branco dos buquês-de-noiva, os corações-magoados dão colorido variado com as folhas que parecem bordadas em tons de verde, amarelo e roxo. Entre as forrações, as lantanas (R$ 5 a caixa com 15 mudas, na Flora Avancine). 

O pomar, atrás da casa, é diverso. Lá estão as jabuticabeiras, os pessegueiros, a mangueira centenária e os pés de caqui e macadâmia. Perto, sente-se o perfume da caneleira. “É um paisagismo sazonal. A cada estação há espécies que florescem”, diz Irineu. 

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