30/10/2006

Berrini também para morar

Fonte: O Estado de S. Paulo

No Brooklin, área de grandes empreendimentos comerciais, mil apartamentos estão sendo lançados

Depois de uma década de supremacia dos imponentes prédios comerciais, a região da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, no Brooklin, zona sul, inicia um novo processo de transformação. Desta vez, para virar também reduto de modernos edifícios residenciais.

Quem transita pelo quadrilátero formado pela Marginal do Pinheiros e as Avenidas Berrini, Jornalista Roberto Marinho e Bandeirantes, o Novo Brooklin, pode conferir de perto essa nova fase. Somente na Rua Sansão Alves dos Santos, paralela à Marginal e à Berrini, há quatro grandes empreendimentos residenciais em apenas três quarteirões. Um está praticamente pronto, outro foi lançado em setembro e outros dois estão com lançamento marcado para este mês. Do outro lado da Berrini, aos fundos da Hípica, mais dois prédios estão em fase final. Ao todo, são cerca de mil apartamentos novos na região. Os primeiros começam a ser entregues em abril de 2006.

Alguns podem achar estranho abrir a janela e dar de cara com um conjunto comercial ou um hotel, mas essa proximidade é a aposta do mercado imobiliário para obter sucesso nas vendas. “Seja o primeiro a chegar ao trabalho e em casa”, diz o anúncio publicitário de dois prédios. “O objetivo é unir o útil ao agradável. Oferecer aos empresários da região a oportunidade de morar perto do trabalho, em uma área de fácil acesso, com infra-estrutura completa e perto de áreas nobres”, explica o diretor de incorporações da Cyrela, Ubirajara Spessotto de Camargo Freitas.

Tempo

O presidente da incorporadora Tishman Speyer, Daniel Citron, confirma o novo nicho de mercado. “Nosso público é, em geral, de famílias e casais jovens que trabalham e têm pouco tempo para curtir filhos e casa e, por isso, estão dispostos a investir para não passar parte dele presos em congestionamentos”, afirma Citron.

A comodidade, no entanto, tem seu preço. Um apartamento de quatro dormitórios não sai por menos de R$ 400 mil. Há unidades que chegam a custar R$ 2 milhões. Apesar de toda a infra-estrutura de comércio, transporte, gastronomia e lazer na região, os condomínios oferecem de spa e espaço gourmet a lan house.

Os preços dessas primeiras unidades – R$ 3.200,00 o m2 – , considerados baixos se comparados com os de áreas como Chácara Santo Antônio, Panamby e Alto de Pinheiros, devem sofrer uma escalada nos próximos empreendimentos. “Essa primeira fase foi para sentir o mercado”, diz Citron. Foi o que aconteceu na região do Parque Burle Marx e do Shopping Villa-Lobos, no Alto de Pinheiros, zona oeste. “Os primeiros apartamentos começaram a ser vendidos nessa faixa e hoje o m2 passa de R$ 5 mil.” Hoje os preços dos novos prédios na Berrini são compatíveis com os da Vila Mariana e Pompéia.

Se depender da procura, a valorização é certa. Um dos prédios que ainda não tiveram o lançamento oficial já tem uma lista de interessados duas vez maior que o total de apartamentos. A um quarteirão de distância, outro prédio vendeu 25% das unidades em menos de um mês.

“O responsável por esse sucesso é a situação difícil de locomoção da cidade, com o rodízio de veículos e os congestionamentos”, diz o diretor do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo, Paulo Cezar Mansor de Oliveira.

A combinação menos tempo no trânsito e valorização garantida do imóvel foi decisiva para o médico Luiz Arnaldo Pipino comprar um apartamento ainda na planta pertinho da Marginal do Pinheiros.

“Em nenhum lugar da cidade há apartamento com esta localização, padrão e o preço que está sendo oferecido”, disse Pipino. Ele mora no Portal do Morumbi com a mulher e dois filhos e trabalha em Santo Amaro e Moema.

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