03/02/2007

Bom gosto em favor de boa causa

Fonte: Jornal da Tarde

Keiny Andrade/AEZap o especialista em imóveisGil Lopes: ‘Postura anti-desperdício’

De acordo com o arquiteto Gil Lopes, da Ilha Arquitetura e Meio Ambiente, a utilização de materiais provenientes de demolição nas construções entrou em moda na década de 1990. Mas, para ele, esse recurso de reutilização da madeira significa muito mais que modismo. “É uma postura anti-desperdício. Uma questão de preservar o meio ambiente, o trabalho artesanal, a arte”, garante.

Trabalhando há mais de 30 anos com esse segmento da construção, além de outros, a Ilha Arquitetura tem clientes que vão até eles justamente por conta da experiência na inclusão e garimpagem desse tipo de peça.

“Esse material é mais caro. Mas é preciso levar em consideração que o tamanho das peças é bem maior que os industrializados. Além disso é preciso dar o devido valor ao trabalho artesanal das peças”, lembra Lopes.

Nem sempre dá para comprar as portas, janelas, batentes ou madeiras em bom estado. “Então, é preciso investir um pouco mais de tempo e dinheiro para restaurar e recuperar as peças”, revela. “Mas existem depósitos que vendem o material já pronto para ser utilizado. Mas cobram mais caro por isso.”

O arquiteto revela alguns macetes para quem gosta de garimpar e fazer bons negócios. “Uma boa saída é comprar diretamente no local da demolição. Além de ser mais barato, dá para pechinchar, e, aí, sai bem mais em conta.”

Gil Lopes ensina o que vale a pena comprar. “Os dormentes (madeiras de apoio das estradas de ferro) são baratos e podem ser comprados em leilões das próprias ferrovias. Com eles dá para fazer as partes estruturais da casa, decks, muros etc.. As cruzetas – descartadas dos postes de eletricidade são ótimos para batentes, portas e portões.”

“São todas madeiras-de-lei, nobres, que estão há mais de 40 anos expostas ao tempo. Ou seja: só as boas sobrevivem e podem ser reaproveitadas para durar por muitos anos mais”, garante o arquiteto.

 

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