11/02/2007

Bom momento para comprar usado

Fonte: O Estado de S. Paulo

Expectativa é que vendas cresçam em 2007 motivadas pela grande oferta de crédito e juros mais baixos

Robson Fernandjes/AEZap o especialista em imóveisMotor – Classe média é a que mais movimenta mercado, comprando imóveis na faixa dos R$ 100 mil

O mercado de usados deve passar por forte aquecimento ao longo deste ano. Como o efeito da oferta recorde de financiamento habitacional em 2006 ainda não foi sentido nas revendas, a expectativa é que o movimento aumente agora.

Segundo recente balanço divulgado pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), as vendas de usados em 2006 foram 4,79% menores que em 2005. No entanto, a pesquisa mensal mostra uma recuperação do mercado a partir do último trimestre, tendência que tende a se sustentar. Em dezembro, por exemplo, houve um salto de 4,42% nas negociações.

“Nossa expectativa é de muito otimismo”, afirma o presidente do conselho, José Augusto Viana Neto. Para ele, um fator essencial que deve estimular as vendas é a concorrência bancária. “Os bancos privados já estão com novidades produtivas e juros inferiores, que devem baixar ainda mais”, aposta. Além disso, ele ressalta que a obtenção de crédito está mais fácil e mais rápida para o consumidor.

Porém, Viana Neto defende que somente o financiamento total do imóvel fará com que o mercado de usados destrave de vez. “Os bancos teriam de poder financiar 100% do valor, como é o caso dos novos, porque as pessoas gostam de deixar o seu Fundo de Garantia guardado, para o caso de ficarem desempregadas.”

O Creci-SP esperava que o financiamento total fosse uma das medidas previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o que não ocorreu. “Mas acredito que o governo federal vá chegar à conclusão de que há necessidade de ser mais destemido”, diz Viana Neto.

Espaço para o mercado crescer existe e ele cita um levantamento do Ministério das Cidades que contabiliza 4 milhões de famílias que pagam aluguel no País. “Isso mostra que há um volume grande de pessoas que podem ter capacidade de arcar com um financiamento.” E elas estão, em grande parte, na fatia da classe média – o grande motor do mercado de usados. “Nos últimos três anos, todos os meses, sem exceção, mais de 60% das vendas foram em torno de R$ 100 mil”, revela.

O empresário Feliciano Giachetta, proprietário da FGi Negócios Imobiliários, aposta que o mercado deva ser movido pelas pessoas em busca da primeira residência. “O cidadão vai chegar à conclusão de que pode pagar a prestação no lugar do aluguel.”

E não deve faltar oferta no mercado. Como o movimento das vendas de novos disparou na frente, abriu-se espaço para o usado. “Quem compra o novo deixa o usado e gera oferta. Um mercado puxa o outro para cima”, explica Giachetta.

Preço baixo

A grande vantagem do imóvel usado é o preço. Segundo o Creci-SP, é possível encontrar uma casa ou apartamento com valor de 30% a 50% menor que de um imóvel novo nos mesmos padrões.

O empresário Feliciano Giachetta exemplifica. Segundo ele, o preço do metro quadrado de um apartamento novo na Vila Mariana, de 60 metros quadrados, é de cerca de R$ 4 mil. Um usado do mesmo padrão pode ser encontrado por R$ 2,8 mil o metro quadrado – uma diferença de cerca de 30%. “Não é uma matemática exata, porque o preço do imóvel varia de acordo com diversos fatores”, esclarece Giachetta. Mas a vantagem no valor sempre existe.

Conforme ele, o melhor momento para comprar o usado é agora porque é muito provável que, com a grande movimentação esperada do mercado, os preços aumentem. “Quanto mais facilidade de crédito tiver, mais gente vai estar procurando e o preço sobe”, afirma.

Para Humberto Martins, sócio da imobiliária Frema e diretor de terceiros do Sindicato da Habitação (Secovi), já é possível notar alta dos preços dos usados. “Mas o usado tem a vantagem de poder barganhar preço. Muitas vezes quem vende quer ganhar tempo e aceita uma proposta”, diz.

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