19/04/2007

Bradesco iguala juro da casa própria à Selic

Fonte: O Estado de S. Paulo

Redução dos encargos acirra disputa no mercado

Ed Viggiani/AEZap o especialista em imóveisMuito puco – Participação do crédito imobiliário no PIB é de 2%

O Bradesco, o maior banco privado do País, igualou ontem os juros cobrados nos financiamentos imobiliários com prestações fixas à nova taxa Selic de 12,5% ao ano. Para equiparar a sua taxa aos juros básicos da economia, o banco cortou em 1,5 ponto porcentual os encargos financeiros cobrados dos financiamentos em 20 anos com recursos do Sistema Financeiro da Habitação. Com o corte, o juro mensal ficou em 0,98%.

“Reduzimos as taxas por causa da expectativa de manutenção de estabilidade da economia e a queda dos juros no mercado futuro”, diz o vice-presidente, Norberto Barbedo. Com a redução dos juros cobrados pela instituição nessa modalidade de financiamento que é voltada para imóveis avaliados em até R$ 350 mil, a expectativa do banco é superar em 2007 a meta inicial que era de encerrar dezembro com uma carteira de crédito imobiliário de R$ 3 bilhões. Em 2006, os financiamentos para a compra de imóveis da instituição foram de R$ 2,1 bilhões.

Barbedo acredita que o volume de empréstimos vai se acelerar porque, com juros menores, as prestações vão se encaixar com folga na renda. Isso possibilitará a ampliação do mercado. “Nenhum concorrente trabalha nesse prazo com uma taxa tão pequena”, diz o executivo.

O HSBC, que até ontem dizia ter a menor taxa do mercado nessa modalidade de financiamento, informou que pretende reavaliar as suas taxas, depois do corte da concorrência. Para financiamento de imóveis acima de R$ 200 mil por um período de 10 anos, a instituição cobra juros de 1% ao mês, ou 12,68% ao ano.

“Até hoje (ontem), eu não tinha motivos para mexer na taxa. Provavelmente agora vou reavaliá-la”, diz o diretor de Crédito imobiliário do HSBC, Roberto Sampaio. Para este ano, a meta da instituição é ter uma carteira de crédito imobiliário destinado à pessoa física de R$ 700 milhões. Hoje o saldo da carteira está em R$ 450 milhões.

Segundo Sampaio, os empréstimos imobiliários com prestações fixas são os que mais crescem. “Dobramos a produção desses financiamentos de janeiro para fevereiro e de fevereiro para março”, diz o executivo. Mas ele pondera que essa modalidade representa muito pouco da sua carteira, cerca de 5%.

Ao que tudo indica, a disputa pelo consumidor de crédito imobiliário está só no começo. Hoje, os financiamentos habitacionais respondem por apenas 2% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, muito aquém de 10% de vários países latinos.

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