30/10/2006

Brás era chácara no século 18

Fonte: O Estado de S. Paulo

Embora famoso como bairro dos italianos, o Brás foi fundado mesmo por um português chacareiro, conhecido como Zé do Brás.

Em meados do século 18, a várzea do Carmo ia do Rio Tamanduateí até a distante Penha. Era cortada por um caminho de chão batido, a Estrada da Penha, por onde os bandeirantes costumavam passar.

O Zé do Brás tinha uma chácara enorme, que ia do Tamanduateí ao Largo da Concórdia. A propriedade acabou ficando conhecidíssima, porque o velho português ergueu ali uma capelinha, que batizou com o nome de Senhor Bom Jesus do Brás.
Em 1846, começaram a ser abertas as ruas do bairro. Nessa época, o Brás tinha apenas duas vias principais a do Gasômetro e da Penha. Beirando as marginais, erguia-se o casario dos primeiros moradores.

Mas o Brás continuou pobre até 1885, quando ocorreram três fatos importantes: a crise na agricultura do sul da Itália, a proibição de entrada de escravos nos portos brasileiros e o boom da cafeicultura em São Paulo.

Começava, então, a “invasão” do Brás pelos italianos. Eles eram encaminhados ao Departamento de Imigração e Colonização Visconde de Parnaíba. No fim do século passado, mais de 16 mil imigrantes europeus – aproximadamente 90% de italianos – desembarcaram em São Paulo. Foram todos para o Brás.

A partir da década de 40, por causa de uma grande seca que atingiu diversos Estados do Nordeste, ocorreu no bairro uma constante e progressiva entrada de nordestinos. Com eles, vieram comércio de alimentos, roupas, músicas.

Em 1903, o progresso chegava ao Largo do Brás com a instalação de trilhos dos bondes elétricos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.