30/10/2006

Brasil é o mercado de imóveis da vez

Fonte: O Globo

Cinco empresas captam R$4 bi em ações, a maior parte de estrangeiros. Analistas se dividem sobre tendência dos preços

A indústria da construção civil está aproveitando o bom momento por que passa a economia brasileira para buscar recursos no mercado de capitais. Num movimento inédito, desde setembro do ano passado cinco grandes empresas especializadas em imóveis residenciais já foram à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vender suas ações. Não faltaram investidores interessados em comprar os papéis, e essas empresas saíram dos pregões com mais de R$4 bilhões em caixa. Dinheiro que lhes dará fôlego para aumentar o número de lançamentos.

O setor, no entanto, está dividido sobre o que acontecerá com os preços dos imóveis. Alguns construtores afirmam que devem subir, já que mais gente terá acesso a financiamentos. Outros dizem que os valores podem cair, uma vez que o ganho de escala na produção de novos empreendimentos levará à redução de custos.

— As condições de financiamento, com juros menores e prazos bem mais longos, combinadas com uma oferta maior, vão deixar os preços dos imóveis adequados — diz o diretor do fundo de investimentos imobiliários Brazilian Mortgages, Fábio Nogueira, sem apontar tendências.

A largada na corrida às bolsas foi dada pela Cyrela Brazil Realty, uma das maiores incorporadoras de edifícios residenciais de alto padrão do Rio e de São Paulo. Numa oferta pública, em setembro de 2005, a Cyrela captou R$902,17 milhões. No mês passado, animada pela boa estréia, a empresa iniciou nova oferta, que até agora lhe rendeu R$728,65 milhões.

Outras três grandes marcas do setor se valeram do apetite dos investidores no início de 2006 para lançar suas ações: a Gafisa, maior incorporadora do país, estreou em bolsa captando R$944 milhões; a Rossi Residencial, que já tinha seu capital aberto, embolsou R$1,012 bilhão; e a construtora Company levou R$290 milhões.

— Aconteceu que o mundo elegeu o Brasil como o país da vez em termos de potencial imobiliário — festejou o presidente da Company, Walter Lafemina, contando que 60% dos compradores de suas ações são investidores estrangeiros.

‘Um cenário muito positivo’

Esse interesse não foi exclusividade da Company. Em todas as emissões do setor, entre os maiores compradores estavam fundos internacionais. No caso da Rossi, os estrangeiros arremataram 80% da oferta. Na média, estima-se que ficaram com 70% dos papéis negociados.

Por trás desse interesse, estão fatores que colocam o Brasil numa posição privilegiada no momento. Estabilidade econômica, juros em queda e oferta crescente de crédito bancário criam condições excepcionais para a expansão do mercado imobiliário. Sem contar o déficit de 7,2 milhões de moradias do país. A liquidez internacional complementou o cenário para que as grandes construtoras e incorporadoras corressem para a bolsa.

— Tudo isso gera um cenário muito positivo para o setor. E as empresas têm de se capitalizar para sustentar o crescimento dos negócios — disse o gerente de Relações com Investidores da Gafisa, Gustavo Felizzola.

Para os especialistas, o Brasil vive hoje processo semelhante ao experimentado pelo México há alguns anos. Depois da estabilização inflacionária e cambial, no fim dos anos 1990, o México tornou-se investment grade, o que desencadeou uma vigorosa.

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