28/10/2007

Brasil é o México da vez, acreditam especialistas do mercado imobiliário

Fonte: O Globo

País tem potencial para atrair investidores estrangeiros

O excesso de dinheiro no mercado financeiro mundial deve trazer novos investidores para o setor imobiliário, inclusive o corporativo, no Brasil. O movimento esperado é semelhante ao boom imobiliário pelo qual o México passa desde 2005, com a expansão do crédito e entrada de investidores estrangeiros.

Aqui, há espaço até para o investimento “especulativo”: construções para empresas iniciadas sem inquilinos certos. A avaliação é da consultoria Colliers International.

— Nós estivemos com o pessoal do fundo de pensão dos professores de Ontário e eles têm mais de US$100 bilhões para investir — diz Ricardo Betancourt, diretor da Colliers, que é canadense, no Brasil.

O fundo de professores já tem 19,5% das ações com direito a voto do grupo de shopping centers Multiplan — dono, entre outros, do BarraShopping:

— Há cinco anos, as operações de compra e venda eram difíceis, pois estávamos num mercado sem dinheiro. Agora, sobra dinheiro no mundo. O Brasil é o México de ontem — acrescenta Betancourt.

Fundos de pensão voltam a olhar o setor

Além dos estrangeiros, os fundos de pensão brasileiros, que começaram a investir no mercado imobiliário na década de 1990, também estão voltando a olhar o setor.

Grandes investidores diretos também buscam o país. É o caso do milionário americano Sam Zell, cliente da Colliers e que já tem 13,77% da Gafisa, 19,1% da BR Malls — dona do NorteShopping e do São Conrado Fashion Mall — e é sócio na Bracor, especializada em imóveis para empresas.

Outro investimento que pode, enfim, ganhar expressão são os fundos imobiliários. Abertos a investidores comuns, obtêm rendimento do aluguel dos imóveis ou de participação no empreendimento, no caso de shoppings, mas nunca decolaram no Brasil.

Regulados em 1994, os poucos existentes têm como objeto apenas um imóvel, como o Torre Almirante, no Centro do Rio, e o Shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo.

— Concentrar em um não é o conceito de um fundo, de diluir o risco. Isso acontecia pela falta de recursos para investir — diz Betancourt.

No Rio, diante da falta de terrenos, as oportunidades podem estar nos retrofits. A Colliers fechou, recentemente, a venda do edifício na Avenida Presidente Vargas 850, no Centro do Rio, para esse fim.

Mas é necessário calcular bem o investimento, ou pode valer mais a pena construir um edifício novo, diz Lilian Feng, gerente de pesquisa da Jones Lang LaSalle:

— Algumas empresas compram prédios para reformar e gastam R$100 milhões. É preciso fazer a conta — diz.

Área portuária e Cidade Nova são oportunidades

Ela avalia que boas oportunidades de construção no Rio estão na Cidade Nova, onde a consultoria administra o Teleporto e já pré-locou uma das torres em construção do Projeto Cidade Nova. Uma deve ser entregue em 2009.

Outra região freqüentemente apontada como potencial é a portuária. Já bairros como Pavuna e o município de Duque de Caxias têm vocação para centros de distribuição (CDs) de produtos, pela proximidade do futuro anel rodoviário, segundo a Colliers.

 

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