19/08/2007

Brasil não corre risco de crise imobiliária

Fonte: O Globo

País tem modelo de crédito bem diferente do vigente nos Estados Unidos, lembram especialistas

Com um modelo de financiamento imobiliário que começa a deslanchar, o Brasil está muito longe de ser atingido por uma crise como a que se instalou nos Estados Unidos, dizem os especialistas. É que, enquanto lá as linhas de financiamento para a compra de imóvel se multiplicaram até para quem já estava coberto de dívidas, aqui a concessão do empréstimo depende de uma rigorosa análise de risco de crédito. Além disso, enquanto nos EUA a hipoteca é securitizada, isto é, o dinheiro é captado junto a investidores, no Brasil os recursos vêm fundamentalmente da caderneta de poupança ou do FGTS. A securitização ainda é pouco usada por aqui.

É o que explica Fábio Cardoso, diretor de Renda Variável da Máxima Asset Management:

— O financiamento imobiliário no Brasil é embrionário. O sistema ainda é rígido para emprestar até mesmo para quem tem capacidade de pagamento. E o mercado americano é muito mais elaborado que o daqui em termos de produtos derivativos. A hipoteca lá se transforma em vários produtos de classificações de risco diferentes.

— No Brasil, não temos um sistema avançado de securitização. Não vejo risco de se formar uma bolha imobiliária aqui porque não tem alavancagem. A perda fica restrita ao valor do título e não a múltiplos sobre esse valor — acrescenta Marcus Valpassos, da Galanto Consultoria, um estudioso do tema habitação.

Sistema de ‘subprimes’ não existe no mercado nacional

A bolha do mercado imobiliário americano se formou por causa das subprimes, as hipotecas de alto risco. São empréstimos concedidos a clientes que não têm boa avaliação de crédito — um modelo que não existe no Brasil — e pelo qual o agente financeiro busca junto a investidores o dinheiro para oferecer à clientela. Com o aumento desse mercado, o investimento em imóveis nos Estados Unidos tornou-se bastante atraente. E os preços subiram. Os problemas começaram no ano passado, quando as taxas de juros entraram em movimento de alta: as prestações ficaram mais altas (além de o mercado ter se voltado para a aplicação em títulos do governo).

— As empresas de concessão de crédito passaram a enfrentar a inadimplência. E o calote atingiu também os investidores que emprestaram dinheiro a elas. Sem receber as prestações, a empresa não repassa o dinheiro — explica o presidente da Ademi, Rogério Chor, lembrando que o investidor, para reduzir suas perdas, vende ações de outros negócios na bolsa e, com isso, as ações despencam.

 

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