17/03/2009

Cada cor em seu lugar

Fonte: O Estado de S. Paulo

Ricardo Pinto setoriza espécies de acordo com os tons e espalha árvores frutíferas no jardim de 2 mil m²

Foto: Zeca Wittner/AE

São Paulo – Quatro majestosas washingtônias, um tipo de palmeira de folhas em forma de leque e tronco ornamental, ladeiam uma tamareira na entrada da ampla casa que ocupa um terreno de 3 mil m², em Itatiba. Ali, há também grama em volta do piso de rachão de arenito, cerca-viva de jasmim, hibiscos e lantanas – os três amarelos. 

Setorizar cores é uma das características do trabalho de Ricardo Pinto, autor do projeto paisagístico da construção com grandes varandas. “Não gosto de misturar cores. Usando os mesmos tons em canteiros consigo dar sutileza ao jardim e explorar melhor a beleza das espécies”, diz Ricardo, que trabalhou 12 anos em publicidade sempre com um pensamento fixo: trocar campanhas para dedicar-se ao que até então era um hobby – fazer jardins, como aquele da casa dos avós alemães, em Moema, onde brincava quando menino.

A paixão tomou força aos 17 anos, quando passou uma temporada nos Estados Unidos. “Meu ?pai? americano era paisagista. Eu o acompanhava nas obras, aprendia sobre plantas e executava os projetos com os operários.” De volta ao Brasil, nos anos 80, Ricardo começou a cursar publicidade.

“Mas chegou um dia em que saturei. Fui então estudar paisagismo a sério. Primeiro aqui, depois na Inglaterra”, conta. O conhecimento mais aprofundado dessa atividade definiu os conceitos que norteiam até hoje seu trabalho: respeitar as características de cada espécie e setorizar as tonalidades. Além de atender, claro, aos anseios do cliente.

“Em Itatiba, por exemplo, a proprietária não queria um jardim com referências clássicas, com buxos podados ou kaisukas. Ela me pediu algo mediterrâneo, que lembrasse o sul da França, e muitas frutíferas”, lembra o paisagista, que, logo de início, enfrentou um desafio: a irregularidade do terreno, em forma de losango. “Tinha 2 mil m² para compor a área verde. Resolvida a entrada, fiz patamares com taludes, muros de arrimo, escadas e paredes de lascas de pedras para aumentar a área útil do jardim. Assim, pude construir recantos e passeios”, diz.

Na área da piscina, Ricardo criou canteiros com flores, frutíferas e forração, uma paleta de cores que vai do amarelo ao vermelho e passa por tons de laranja. Lá estão ixoras (caixa com 12 mudas, R$ 30 na Natus Verde), lírios (caixa com 6, R$ 30, idem) e moreias. Mais adiante, o rosa e seus derivados, da magnólia às azaleias roxas. E, depois, duas tamareiras e vasos com pitanga (com 2 m, R$ 40, na Natus Verde) e orquídea-bambu (R$ 24 com 1,50 m, idem).

Nos taludes, entre forrações com impatiens de tons diversos e margaridas roxas, o paisagista plantou uma miríade de espécies, da lavanda e verbena à bela-emília. Nas laterais que conduzem ao terreno inferior, touceiras de fórmio, moreias e camélias. Na parte baixa, canteiros com laranja kinkã (a partir de R$ 100 a árvore produzindo, na Chácara São Lucas), jabuticabeira, pés de mexerica, limão-taiti, pêssego (mudas a partir de R$ 7 cada uma,no mesmo endereço), ipês amarelos e roxos. E, para arrematar o jardim tão florido quanto diverso, a escultura O Beijo, de Rubens Gerchman. “Tinha de ser uma obra de arte para fazer par com a da natureza”, aclama o paisagista.

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